Seca: Governo lança três linhas de crédito de mais de 100 ME para regiões afectadas

O ministro da Agricultura, Jaime Silva, anunciou hoje, em Beja, três linhas de crédito para ajudar a minorar os efeitos da seca nas regiões mais atingidas, como o Alentejo, num total de mais de 100 milhões de euros.

“O problema é gravíssimo”, realçou o ministro, durante uma visita à feira de agro-pecuária Ovibeja, em que acompanhou o Presidente da República, Jorge Sampaio.

Numa referência ao relatório quinzenal da seca, que está a partir de hoje disponível “online”, Jaime Silva adiantou que as últimas indicações dão conta que “63 por cento do território nacional” está em seca “severa” ou “extrema”.

“Esse valor já chegou aos 80 por cento e, agora, está nos 63 por cento. A situação varia e a seca ‘severa’ ou ‘extrema’ é muito localizada, pelo que os apoios e as linhas de crédito que hoje venho anunciar têm de ir para as regiões mais afectadas”, frisou.

Uma das linhas de crédito destina-se à alimentação animal, o sector que o governante considerou ser “o mais penalizado”.

“É um sector prioritário, pois as pastagens e as forragens de Inverno não existiram e os cereais semeados, provavelmente, vão servir como pastagens”, destacou, adiantando ainda que essa linha de crédito destina-se ao Alentejo e vai ter uma bonificação a cem por cento.

As culturas perdidas noutras regiões do país, disse, referindo- se aos casos da batata e dos citrinos, são alvo de uma outra linha de crédito.

“A colheita dos citrinos foi perdida e, quem conhece essa cultura, sabe que os prejuízos estendem-se, não a um ano, mas também aos dois anos seguintes”, realçou.

“Quanto à cultura da batata, pura e simplesmente, foi afectada pela seca que, contrariamente a situações anteriores, atingiu também este ano o Litoral Norte”, acrescentou.

A terceira linha de crédito anunciada por Jaime Silva incide no abeberamento dos animais e nos furos, devendo o Governo discutir estas medidas “já na próxima semana”, para que sejam “votadas e decididas rapidamente”.

Além deste novo “pacote” de apoios, o ministro da Agricultura enumerou ainda as medidas que o Governo tem vindo a tomar para fazer face à seca, desde que tomou posse, e as adoptadas pelo anterior executivo de coligação PSD/CDS-PP, para realçar, de seguida, os constrangimentos orçamentais que existem em Portugal.

“O Governo é solidário e o País vai ser solidário com o problema da seca, que é real, mas também não podemos ignorar os constrangimentos que decorrem do rigor orçamental com que nos debatemos”, argumentou.

Garantindo que é exigido “rigor na aplicação dos dinheiros públicos”, Jaime Silva frisou que, neste momento, não é possível calcular “qual o limite até onde vai a seca”, pelo que as medidas que forem, “progressivamente, anunciadas” têm de ser “bem pensadas”.

Questionado pela agência Lusa, após o anúncio do ministro, Sebastião Rodrigues, da Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (FAABA), garantiu que as medidas representam “muito pouco”, mas reconheceu que “a situação do país é muito complicada”.

“É muito pouco mas, dentro do pouco, já é alguma coisa”, afirmou, realçando que os agricultores aguardam com “expectativa” a reunião agendada para domingo de manhã, na Ovibeja, com o ministro da Agricultura.

Nesse encontro, a partir das 10:30, a FAABA vai transmitir a Jaime Silva que as linhas de crédito “não são suficientes até Outubro”, altura em que deve chegar a antecipação das ajudas de Bruxelas.

O ministro da Agricultura, que acompanhou a visita do Presidente da República em Beja, rumou depois a Mértola, um dos concelhos mais atingidos pela seca no distrito, onde reuniu com a Câmara Municipal, FAABA e outras entidades associativas.

Depois deslocou-se ao Monte do Guiso, uma herdade daquele concelho afectada em termos agrícolas.

Fonte: Lusa

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