Santarém: Feira Nacional da Agricultura recupera espaço de debate sobre o sector

A Feira Nacional da Agricultura/Feira do Ribatejo, de 04 a 12 de Junho, em Santarém, retoma este ano o lugar privilegiado de debate sobre o sector agrícola português, aliado à expressão da tradição do mundo rural.

João Machado, presidente do Conselho de Administração do Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), disse hoje, na apresentação do certame, que a Feira Nacional da Agricultura (FNA), este ano na sua 42ª edição, volta a ter uma forte componente técnica e científica, transformando-se numa espécie de observatório nacional do sector.

Além de seminários e debates, que vão decorrer em todos os nove dias da feira, sob o lema “O Campo em Mudança”, a FNA conta com mais de 400 expositores que vão mostrar, no amplo espaço do CNEMA (60 hectares), “o que de melhor se produz em Portugal”, frisou.

Este ano com alguns campos de demonstração agrícola – de milho, tomate e beterraba -, a FNA vai mostrar centena e meia de bovinos, com exemplares de todas as raças autóctones (apesar do surto de língua azul), duas centenas de ovinos e caprinos, além de “uma larga mostra”das raças de suínos existentes em Portugal, voltando o cavalo a ser a grande atracção, com numerosas iniciativas agendadas.

Segundo João Machado, a participação espanhola volta a ser significativa este ano, com a presença de muitos expositores e de algumas regiões do país vizinho.

Entre os temas em análise na mais de uma dezena de encontros previstos (e que irão movimentar cerca de 4.000 pessoas, entre técnicos e agricultores), destacam-se questões actuais como a seca, com implicações inevitáveis no sector, o regadio, a gestão agrícola, as novas tecnologias (com demonstrações de sementeira directa) ou a segurança alimentar e novas culturas.

A parte tradicional e etnográfica, associada à Feira do Ribatejo, este ano na sua 52ª edição, terá forte expressão, realizando-se, dia 11, um “mega-desfile etnográfico”, com perto de 300 figurantes, a partir do “espaço tradição”, entregue ao Agrupamento de Danças e Cantares da Póvoa da Isenta, onde estarão em exposição permanente instrumentos e maquinaria agrícola de outros tempos.

Um desfile intitulado “a festa dos fazendeiros”, actuações de grupos folclóricos e de bandas, exibição de campinos (este ano sem os tradicionais jogos de cabrestos, devido à doença da língua azul), jogos tradicionais, uma picaria à vara larga (pela primeira vez no certame) e demonstrações equestres darão ainda o colorido da tradição à feira.

As tasquinhas com as carnes das raças autóctones, restaurantes, área de artesanato e numerosos espectáculos – que incluem uma noite de tunas, um festival de folclore, uma noite de fados que vai marcar a passagem dos 50 anos sobre a data em que foi escrita, num café de Santarém, a letra da “Moda das Tranças Pretas” – fazem parte da componente que procura atrair visitantes à feira.

Receando o momento de grande retracção económica que se vive no país, o CNEMA procurou criar formas de incentivar a afluência de público, dando início aos “Concertos do Ribatejo” (com dois espectáculos que prometem atrair muitos visitantes, um com Luís Represas, dia 04, e outro com Tony Carreira, dia 06) e permitindo a aquisição de cadernetas de bilhetes ou de cartões de acesso livre.

Numa parceria com a Câmara Municipal de Santarém, o dia 06 vai ser dedicado à população da cidade, com entradas gratuitas e um programa que levará jovens e idosos à feira, com iniciativas que visam mostrar algumas das actividades do município, disse o presidente da autarquia, Rui Barreiro.

Procurando recordar os tempos em que a feira se realizava no planalto da cidade, com todo o movimento que envolvia, dia 11 vão realizar-se desfile de campinos e largadas de toiros na cidade, adiantou.

Rui Barreiro assegurou que as obras actualmente em curso junto ao CNEMA, para conclusão do acesso Sul à cidade, não irão criar complicações, uma vez que os acessos ao parque de exposições estarão livres e a área de obra ficará disponível para estacionamento, decorrendo os trabalhos durante os nove dias da feira noutra zona.

As crianças voltam a ter um espaço privilegiado, com acesso a uma “quinta do pequeno agricultor”, à “fábrica de papel”, a visitas guiadas à exposição pecuária, ao contacto com cavalos e numerosas actividades lúdicas.

A entrada na FNA custa 4,5 euros, um custo que se reduz a 2,5 euros para quem compre cadernetas de 10 bilhetes, sendo o preço do livre-trânsito de 13 euros, tendo estas duas modalidades de ser adquiridas antes do início do certame.

Fonte: Agroportal

Veja também

Consumo de café aumenta resposta ao tratamento da hepatite C

Os pacientes com hepatite C avançada e com doença hepática crónica que receberam interferão peguilado …