Os potenciais produtores agrícolas de organismos geneticamente modificados (OGM) estão sujeitos a pressões diferentes e contraditórias, aponta um relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), hoje divulgado.
Estas pressões concentram-se nos países em vias de desenvolvimento, particulariza a instituição, os quais têm de considerar pressões de vários origens e com vários impactos.
Entre as mencionadas estão a procura de um equilíbrio entre atalhar a fome e má nutrição dentro das suas fronteiras, garantir saúde e segurança, preservar o ambiente, cumprir obrigações multilaterais no comércio internacional e proteger e reforçar oportunidades comerciais.
Estas escolhas são particularmente difíceis para as nações mais pobres, acrescenta a agência da ONU.
Se a agro-biotecnologia, por um lado, aumenta o rendimento e lucro para os agricultores e reduz a escassez de alimentos, por outro pode ameaçar práticas agrícolas tradicionais, limitar o acesso a sementes, colocar problemas imprevisíveis à saúde e ao ambiente, prejudicar a biodiversidade e causar preocupações étnicas e religiosas.
Acresce que estes países podem sair a perder nas suas trocas internacionais, uma vez que se pretenderem manter as suas exportações para a União Europeia, onde os consumidores estão cépticos quanto às culturas de transgénicos, terão de manter o estatuto de +livre de OGM+.
Isto implica não só não exportar OGM como nem sequer usá-los no consumo doméstico ou importá-los sequer, acentua a Unctad.
A preocupação de perder mercados já levou alguns países, como Angola, Etiópia, Lesoto, Malawi, Sudão, Zâmbia e Zimbabué, a banirem importações de OGM, com algumas excepções relativas a ajudas alimentares.
A área mundial afecta à plantação de OGM foi multiplicada por 47 desde 1996, mas a sua localização nos países em desenvolvimento é reduzida.
Os EUA representam 59 por cento dos 81 milhões de hectares dedicados à agricultura de OGM em 2004.
A área restante está espalhada por mais 16 países, com a Argentina a representar 20 por cento, Canadá e Brasil (6 por cento cada), China (5 por cento), Paraguai (2 por cento), e Índia e África do Sul, com 1 por cento cada.
Fonte: Lusa
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