Melhorar as culturas e prevenir doenças das plantas é o objectivo de uma investigação, coordenada pela Universidade de Coimbra (UC), que testa a utilização de fungos micorrízicos para recuperar as condições dos solos.
Liderada por Teresa Gonçalves, do Instituto Ambiente e Vida do Departamento de Botânica da UC, a investigação está a ser desenvolvida em colaboração com a Direcção Regional da Agricultura de Entre Douro e Minho e centra-se na produção de alface e tomate em estufa e de plantas da videira de vinho verde.
Os fungos micorrizícos são microorganismos que existem naturalmente no solo e estabelecem uma relação simbiótica com a planta, de protecção mútua. Através das raízes faz-se a troca de nutrientes necessários ao desenvolvimento de ambos, mas certas práticas agrícolas e a utilização intensa de fertilizantes, herbicidas e fungicidas provocam o desaparecimento de micorrizas.
A investigação começou em Abril de 2004 e desenrolasse-a ao longo de três anos. O que se pretende com ela é definir práticas agrícolas “em que se consiga conciliar a protecção do ambiente e uma produção de melhor qualidade”, explicou à Agência Lusa Teresa Gonçalves.
Nos primeiros ensaios foram avaliados os benefícios dos fungos micorrízicos para essas plantas e depois testada a aplicação de substrato comercial contendo esses microorganismos, utilizando quantidades variáveis com pequenas doses de adubos.
Os resultados já apurados permitiram observar que há uma relação entre o uso de fertilizantes e a ausência de fungos micorrízicos nas raízes da planta e que estes aumentam com a aplicação do substrato comercial que os contém.
Pretende-se também, no caso das alfaces e tomate, analisar que espécies poderão responder melhor a estes métodos, e a determinadas condições dos solos.
No entanto, os bons resultados e o interesse comercial da utilização dos fungos micorrízicos – realçou Teresa Gonçalves – tanto poderão depender de uma maior produção, como de outros benefícios, como sejam uma maior vitalidade da planta que a proteja contra os fungos patogénicos causadores de doenças, ou o alargamento do período de colheita.
Em relação à planta da vinha com os ensaios pretende- se travar o ataque de fungos patogénicos que causam grandes perdas nos primeiros dez anos de vida.
As denominadas doenças do lenho da videira provocam a morte da planta, em muitos casos, ou fazem diminuir drasticamente a produção de uva, com elevados prejuízos para os vitivinicultores.
Até agora ainda não se encontrou um tratamento químico eficaz para essa doença, mas diversos centros de investigação internacional estão ocupados nessas pesquisas.
Em 2004 uma equipa de investigadores da Santiago de Compostela publicou um artigo numa revista americana de vitinivicultura a evidenciar resultados promissores do uso de fungos micorrízicos no combate às doenças da vinha.
“O objecto é ver até que ponto a adição de inócuo de fungos micorrízicos no solo poderia melhorar o resposta das plantas a agentes patogénicos”, explicou à agência Lusa Teresa Gonçalves.
Os ensaios estão a ser realizados em viveiro, antes de a planta ser transplantada para a vinha, e o uso de substrato comercial já revelou a presença de maiores quantidades de fungos micorrízicos nas raízes, numa relação simbiótica vantajosa.
As pesquisas coordenadas por Teresa Golçalves, além da Direcção Regional da Agricultura de Entre Douro e Minho, envolvem a Comissão de Vitivinicultura da Região dos Vinhos Verdes e associações de horticultores.
No futuro, pretendem-se definir protocolos e práticas agrícolas, a divulgar pelos agricultores, susceptíveis de melhorar as colheitas e as condições das plantas e solos, com ganhos para o ambiente.
Fonte: Lusa
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