Os resultados da Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo (CCCAM) cresceram 98% em 2004 e os do Grupo Crédito Agrícola 6%. Como foi possível este crescimento?
Estes resultados evidenciam o enorme potencial da CCCAM e do Crédito Agrícola, devido às características do mercado onde opera e às características da sua clientela. Reflecte também o movimento de reorganização e modernização que o grupo encetou há dois anos, com a implantação da plataforma tecnológica, a par da reorganização de uma série de empresas participadas. Tudo isto tem permitido chegar aos resultados que referiu.
O rácio de eficiência é igualmente de assinalar, de 50%…
O grupo Crédito Agrícola tem um dos melhores rácios de eficiência do sistema português e que pode ainda melhorar, permitindo compensar algumas dificuldades específicas, como o índice de crédito malparado. Tal situação é contrabalançada por um rácio de eficiência muito abaixo da média do sistema.
Como está a reestruturação do grupo?
O movimento de reorganização e de modernização está a seguir um plano de cinco anos, estabelecido há dois. As etapas estão a ser cumpridas, com uma modernização tecnológica intensa e com as reorganizações necessárias para tirar partido desses investimentos. Quanto às empresas do grupo, o processo está concluído. Temos seguradoras (Vida e Não Vida), uma financeira de corretagem, uma gestora de activos e de património e uma empresa de consultoria, estas três últimas resultantes da extinção do Central Banco de Investimento.
Está prevista a redução de funcionários?
Neste momento, não. O grupo tem cerca de 4 mil colaboradores. É um número razoável. Tem de haver aumentos de produtividade, para tirar partido dos colaboradores que tem.
Para melhorar a situação do Crédito Agrícola bastou então um esforço de modernização?
Em grande parte, sim. Consistiu em tirar partido de um segmento de mercado importante onde o grupo tem presença significativa. Mas é evidente que o grupo não está a descurar novos segmentos de clientes, nomeadamente os jovens, estando em curso uma campanha dirigida a eles. Estamos também a apostar em novos canais electrónicos para penetrar em áreas mais urbanas e contrabalançar a forte presença nas zonas rurais. O Crédito Agrícola está presente em todo o país, especialmente na zona costeira, mas tem ainda uma presença incipiente em Lisboa e Porto. Vamos procurar suprir essa deficiência pela utilização de canais alternativos.
Vão alargar a rede em Lisboa e Porto?
Sim, para captar clientes daquelas zonas, onde o Crédito Agrícola tem hoje uma presença muito abaixo da sua quota de mercado nacional.
Mas uma das potencialidades é estar perto das populações do interior…
O grupo vai procurar preservar essa proximidade, conjugada com uma modernização, porque os clientes estão a ficar mais exigentes. Portanto, queremos consolidar onde temos as nossas raízes. Mas isso não quer dizer que não exista um potencial de crescimento em Lisboa e Porto, onde pensamos ter capacidade para crescer.
Em Lisboa e Porto a concorrência também é mais forte…
Por isso é que o Crédito Agrícola estabeleceu um programa de evolução por etapas. Em primeiro lugar, consolidar a sua posição dentro da sua clientela , tornando-se o seu primeiro banco. Depois, o Crédito Agrícola vai querer concorrer com os outros grupos nas zonas urbanas de Lisboa e Porto. Neste momento, preocupa-nos mais consolidar o relacionamento com os nossos clientes, que são mais de um milhão, sendo que praticamente 500 mil clientes são também associados das caixas.
A imagem de um banco rural está a ser mudada junto do público?
Penso que as pessoas vêem cada vez mais o Crédito Agrícola como um grupo bancário igual aos outros. A campanha institucional de há um ano deu resultados excelentes na visibilidade do grupo.
Acredita que vai ser possível situar o Crédito Agrícola entre os cinco principais grupos financeiros?
Acredito. É um objectivo que o Crédito Agrícola deve prosseguir, tem uma base que lhe permite aproximar-se progressivamente dos cinco principais grupos financeiros portugueses. Tem mercado, tem dimensão, é uma questão de tempo.
E dentro de quanto tempo?
Não faz sentido dizer. É um objectivo que deve estar sempre presente.
Falou no controlo de risco. O crédito malparado ainda continua elevado…
Tem vindo a melhorar. Neste momento, o rácio médio de malparado nas caixas anda pelos 6%, que é elevado, mas que reflecte uma parte do crédito concedido, que tem vicissitudes diferentes do outro crédito. Mas até aí existe um enorme potencial. À medida que o Crédito Agrícola está a implantar novos instrumentos de controlo de risco e de acompanhamento, permitir- -lhe-á melhorar substancialmente nessa área com resultados visíveis a prazos relativamente curtos.
Que tipo de crédito é esse?
São segmentos de mercado tradicionais, onde o Crédito Agrícola está presente, nomeadamente em actividades rurais e agrícolas. O caso de algumas caixas terem entrado em segmentos onde tinha menos experiência reflectiu-se em rácios de crédito malparado superiores à média do mercado.
Porque é que o sistema cooperativo bancário não teve sucesso em Portugal como noutros países europeus?
Creio que em Portugal está a seguir o mesmo caminho que levou ao sucesso de outros países. Quanto muito poderá haver algum atraso, mas que o Crédito Agrícola, através desta multiplicidade de programas, está a procurar dar saltos qualitativos que lhe permitem recuperar o atraso. Não vejo nenhuma razão para que em Portugal este sistema não tenha o mesmo sucesso que teve noutros países.
Como está neste momento a negociação para a compra da posição da Interpolis nas vossas seguradoras?
Chegou-se a acordo com os holandeses para a aquisição dos seus 50% no Crédito Agrícola Vida.
Qual o valor pago pela CCCAM?
Isso ainda não lhe vou dizer. Em linhas gerais, chegou-se a um acordo global. Há detalhes finais que serão acertados esta semana com a vinda dos holandeses a Portugal.
Ficam então com a totalidade do capital das seguradoras?
Sim, com 100% da Crédito Agrícola Vida e da Rural Seguros, onde a Interpolis não chegou a entrar.
E a fase seguinte, a procura de um novo parceiro, como está?
Não posso dizer mais nada.
Mas surgiram nomes nos jornais…
Sim, mas não existe nenhum compromisso. Até porque o Crédito Agrícola não tem pressa. A reorganização tem de dar os seus frutos, para consolidarmos posição e só depois procurar parceiros. Tem havido interessados que se têm manifestado junto do Crédito Agrícola para possível parceria. Nós encaramo-las, avaliamo-las, mas só agora estamos em condições de definir os critérios que estarão na base da futura parceria. Há interesse de parcerias não só na área de seguros, mas também na gestão de activos e na corretagem.
Fonte: DN
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