As mais recentes previsões agrícolas apontam para a manutenção da seca severa e extrema em grande parte do território continental, o que intensificará os prejuízos agrícolas, nomeadamente na campanha cerealífera de Outono/Inverno. Para esta, o Instituto Nacional de Estatística (INE), estima uma quebra de rendimento de 70%.
Em comunicado, o INE especifica que «a maioria das searas apresenta sintomas de exposição ao stress hídrico, porte reduzido e um estado muito adiantado para a época, sem qualquer possibilidade de recuperação». É que a ocorrência de períodos de precipitação baixa e moderada, durante o mês de Abril, apesar de ter melhorado o aspecto vegetativo das culturas não foi suficiente para suprir suas as necessidade hídricas.
Também o sector agro-pecuário está sob dificuldades, sobretudo em virtude das carências alimentares; o rendimento da carne de do leite está condicionado e os custos de produção aumentaram.
Porém, diz o INE, os prejuízos não ficam por aqui. As culturas de Primavera/Verão também foram gravemente atingidas: estão atrasadas e prevê-se «uma redução generalizada das superfícies semeadas». Por outro lado, há uma «grande preocupação dos produtores devido à escassez de água para rega, sobretudo a Sul do Rio Tejo». Para o arroz, os 21 mil hectares reflectem, face à campanha transacta, um decréscimo de 21% e a área de milho em regime de sequeiro não deverá ultrapassar os 11 mil hectares, o que representa uma diminuição de 15% face ao ano anterior. Também as plantações de batata, quer em sequeiro, quer em regadio, diminuiu, respectivamente, em 15 e 20%.
O INE refere ainda que as áreas semeadas com culturas industriais seguem idêntica tendência com decréscimos de 10 e 70% para o tomate para a agro-indústria e girassol, respectivamente.
Os efeitos da seca têm sido igualmente sentidos na gestão técnico-económica das explorações agrícolas, que registam quebras de rendimento nas culturas instaladas, assim como decréscimos das áreas de regadio e dificuldades na reposição dos stocks forrageiros.
Fonte: Confragi
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal