Centro Tecnológico da Cortiça Cria Processo Inovador no Mundo

O Centro Tecnológico de Cortiça (CTCOR) português criou um processo inovador no mundo que pretende “salvar a cortiça da avalancha de vedantes alternativos”, anunciou hoje a directora-geral do CTCOR.

O “Symbios” é “um processo preventivo de eliminação de cloroanisóis que são compostos químicos que resultam no aroma a mofo vulgarmente conhecido por “gosto da rolha” (no vinho) e que é o principal constrangimento para a indústria corticeira”, afirmou Alzira Quintilha.

O novo processo “consiste em actuar sobre a microbiologia da cortiça criando um factor de inibição para microorganismos que potenciam este “gosto a rolha””, explicou a directora-geral do CTCOR, acrescentando que desta forma “consegue-se que essa reacção de degradação não se dê e não se formem os compostos capazes de gerar esse gosto a mofo”.

Sendo Portugal o líder mundial da exportação de cortiça, o processo inovador do CTCOR pode defender o sector, que “emprega muitas pessoas e que é responsável por três por cento do Produto Interno Bruto (PIB)”, destacou Alzira Quintilha, à margem da apresentação do “Symbios”.

Também o presidente da Filcork – Associação Interprofissional da Cortiça – e ex-ministro da Agricultura, Sevinate Pinto, alertou para as consequências da substituição das rolhas de cortiça por outras como as de alumínio.

“As rolhas não são o único produto de cortiça mas são o produto que é o sustentáculo da economia da fileira da cortiça”, disse.

“Exportamos cerca de 180 milhões de contos (900 milhões de euros) por ano de cortiça, 75 por cento dos quais são rolhas”, afirmou Sevinate Pinto, acrescentando que “sem rolha a cortiça torna-se numa casca sem valor”.

Uma das duas empresas que já adoptou este processo desde Julho mostrou-se satisfeita com esta mudança. “A utilização deste processo é fácil”, disse Vicent Dussaubat, administrador da SERCOR – Sociedade Exportadora de Rolhas e Cortiça.

“Actualmente fazemos duas cozeduras em vez de uma, a cortiça já não desenvolve aquele cheiro típico e o fungo verde que antes aparecia com o processo tradicional já não aparece”, enumerou.

“O feedback dos clientes tem sido bom”, afirmou Vicent Dussaubat, apesar de reconhecer que “ainda estão curiosos e querem mais certezas sobre este processo.” ACA.

Fonte: Confagri

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