Agricultura: Portugal deve apostar em produtos específicos e de qualidade

Portugal deve apostar em produtos agrícolas específicos e de qualidade para fazer face à abertura do mercado europeu aos países menos desenvolvidos, afirmou em Paris o secretário de Estado do Desenvolvimento Regional e das Florestas.

O governante falava à Agência Lusa à margem do fórum da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) intitulado “Os motores do futuro: Segurança, Estabilidade e Desenvolvimento”, que teve início na segunda-feira e encerra hoje com um debate sobre a agenda de Doha.

A agenda de Doha, adoptada em 2001 pela Organização Mundial do Comércio (OMC), define uma série de objectivos para o comércio internacional, mas a falta de acordo em certas matérias tem adiado a abertura dos mercados dos países desenvolvidos ao terceiro mundo, nomeadamente do algodão e do açúcar.

Embora reconheça que as negociações sobre o comércio internacional enfrentam um momento de “marasmo” e que esta abertura “não vai acontecer já amanhã, Portugal tem de começar a preparar-se para isso”, avisa Rui Nobre Gonçalves.

“É um dossier complicado, em particular a questão agrícola”, admite, notando “um certo pessimismo” entre os participantes do fórum face à resistência dos países desenvolvidos em abrir os seus mercados aos países em desenvolvimento.

No entanto, sustenta que é este é apenas um “compasso de espera” e que “nem os americanos nem os europeus podem iludir-se que esta situação vai continuar e mais cedo ou mais tarde haverá liberalização do comércio”.

Por isso, o secretário de Estado entende que “Portugal deve estar preparado para as mudanças que aí vêm”.

“É preciso transformar (a indústria agrícola) no sentido de produzir produtos específicos e que se possam distinguir pela sua especificidade, por serem só ser produzidos no nosso país, e pela sua qualidade”, frisou.

“Temos sectores que já têm tido algum desenvolvimento nesta área, como o vinho e o azeite, mas temos de apostar também noutros, como o queijo e os produtos horto-frutícolas”, acrescentou Rui Nobre Gonçalves.

Como exemplo aponta a pêra rocha, a maçã bravo esmolfe ou algumas variedades de cerejas, e defende que não se deve pensar apenas no mercado espanhol, mas também no centro da Europa, onde se pode chegar rapidamente graças aos meios de transporte actuais.

“A politica de desenvolvimento rural vai neste sentido e os apoios públicos vão concentrar-se nestas áreas”, revelou, às quais espera que se juntem as “forças e recursos próprios dos agricultores que não são de ignorar”.

Fonte: Lusa

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