Recebeu o nome de Loja Inteligente, e percebe-se bem porquê. A área que na FIL, durante a feira Alimentaria, recriou o ambiente de uma loja ultramoderna, dando a conhecer os mais avançados equipamentos tecnológicos ao serviço dos comerciantes e dos clientes, foi um dos grandes atractivos desta exposição profissional dedicada ao sector alimentar.
Não é para menos. Entre caixas de saída que dispensam operadores; dispositivos preparados para registar as compras, mesmo com os produtos na cesta; e carrinhos com capacidade para nos guiar pelos corredores das grandes superfícies, a partir de uma lista de compras predefinida, aí se vislumbrou como vão ser os supermercados do futuro. E em alguns casos, um futuro talvez mais próximo do que se imagine à primeira vista.
O «Quick Way», desenvolvido pela empresa Itautec, foi uma das estrelas deste espaço. Trata-se de um terminal duplo, onde é o próprio cliente que passa os produtos adquiridos, recebe a conta, paga e guarda o troco. O sistema dispensa, portanto, um operador externo, mas para que esta ausência não dê azo a tentações, o equipamento é controlado à distância, através de monitores que emitem luzes de alerta sempre que algum artigo escapou à leitura óptica.
Através do ecrã instalado no equipamento, o cliente também recebe o aviso – para que se aperceba do engano ou reconsidere a desonestidade -, pelo que o processo de compra só avança quando o erro for corrigido.
De um modo fácil, o aparelho permite anular compras, efectuar o pagamento em qualquer modalidade (com cartões ou dinheiro), faz pesagens e reconhece até notas falsas.
Embora essa variante não tivesse sido demonstrada na FIL, um representante da empresa explica que o «Quick Way» pode inclusivamente ser dotado de um sistema de voz, para facilitar as orientações a quem não saiba ler ou se atrapalhe com as indicações escritas.
Realidade recente na Europa e com cerca de dois anos nos EUA, estas «caixas» inteligentes estarão disponíveis em Portugal «muito em breve». Só não se sabe, por enquanto, onde.
Por sua vez, a Enabler apresentou um carrinho de compras equipado com um «assistente de compras pessoal». O cliente tem assim ao seu dispor um ecrã que, mediante a introdução prévia de uma lista de compras (o que também pode ser feito pela Internet), lhe fornece um autêntico guia de circulação, identificando os corredores onde estão os produtos a adquirir.
As potencialidades deste sistema não se esgotam por aqui. Se os códigos de barras forem sendo passados à medida que os bens são depositados no carrinho, a conta vai sendo processada automaticamente e até receitas culinárias podem ir sendo apresentadas para tirar partido dos artigos escolhidos.
Do ponto de vista do retalhista, este «assistente» permite-lhe conhecer o perfil do cliente, de modo a propor em tempo real a aquisição de determinados bens, chamar a atenção para campanhas específicas ou mesmo tirar partido das áreas que percebe serem as mais procuradas dentro da sua superfície.
Nesta Loja Inteligente houve mais. Balanças com câmara, que identificam as peças a pesar emitindo a respectiva etiqueta (Bizerba), inovadores sistemas de gestão de armazém, e – máquina que muitos não resistiram a experimentar – um transportador pensado para facilitar as deslocações dos empregados dentro das grandes superfícies. O transportador da Segway está preparado para transportar pequenas cargas e para aceder facilmente a qualquer local, suportando todo o tipo de inclinações e movimentos, o que garante o permanente equilíbrio do seu ocupante.
Finalmente, a Itautec e a Fujitsu demonstraram o funcionamento de um «scanner» de 360 graus, cuja vantagem se traduz pela capacidade de, uma vez instalados nas caixas de pagamento, lerem em segundos as etiquetas dos artigos. Sem que as compras saiam do carrinho e numa questão de segundos, a conta é processada e o cliente fica despachado.
Esta loja do futuro pensada pela APED encerrou portas na quarta-feira, juntamente com a Alimentaria, mas parte destas inovações ficarão, com certeza, já encomendadas.
Fonte: Expresso
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