O aquecimento global pode condenar dentro de 50 anos a produção de vinho em vários locais do país, nomeadamente no Alentejo, alertou ontem em Santarém o presidente da ViniPortugal, Vasco D’Avillez.
Durante o Fórum Anual do Sector do Vinho, Vasco D’Avillez mostrou-se preocupado com os riscos para a produção nacional já que a cultura da vinha necessita de um clima mais temperado para sobreviver.
“Em Marrocos não se faz vinho”, sublinhou o dirigente da ViniPortugal, temendo que dentro de 50 anos, a “vinha deixe de existir numa boa parte de Portugal”.
As zonas mais altas como Portalegre enfrentam menos riscos mas a situação é particularmente preocupante no Algarve e Alentejo, e isso já foi evidente neste ano, em que o calor do Verão queimou grande parte da produção de uva trincadeira, alertou Vasco D’Avillez.
Esta situação “não acontecia há 20 anos” e foi sentida particularmente na zona de Borba, Estremoz e Reguengos de Monsaraz onde “houve imensos problemas”.
No entanto, o presidente da ViniPortugal espera que os efeitos climáticos da albufeira do Alqueva venham atenuar o avanço da seca no Alentejo, que poderá atingir uma das zonas de maior e melhor produção vitivinícola.
Nesse sentido, a ViniPortugal criou uma agência de Inovação e Desenvolvimento para abordar esta questão.
“A elevação da temperatura e o aumento de concentração de CO2 irão provocar alterações significativas no ciclo vegetativo da videira e na qualidade das uvas e dos vinhos produzidas”, refere a organização do encontro, no texto de apresentação do Fórum, que decorreu esta tarde em Santarém.
Fonte: Agroportal
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