Em Julho, os preços subiram 1,8 por cento por comparação com o mesmo mês de 2009 e os produtos que mais aumentaram foram o peixe, a fruta, a água, a luz ou o gás. Grande parte desta subida deve-se ao agravamento (em vigor desde 1 de Julho) das taxas do IVA.
A subida da inflação foi mais acentuada em Julho, sendo preciso recuar a Outubro de 2008 para encontrar um valor tão elevado como os 1,8 por cento verificados no mês passado. Entre os produtos que revelaram maiores aumentos homólogos de preços estão bens alimentares, bebidas (com e sem álcool), despesas relacionadas com a habitação, água, luz, gás, combustíveis ou os transportes.
Economistas contactados pelo JN atribuem ao agravamento do IVA uma boa dose de “responsabilidade” nesta subida da inflação, praticamente anulando o efeito positivo nos preços que geralmente se verifica nesta época do ano devido aos saldos.
Cálculos ontem divulgados pelo INE indicam que o impacto da subida do IVA no nível da inflação rondará os 0,7 por cento. Um valor que ajuda a explicar por que motivo o preço maioria dos produtos que compõem o cabaz do INE tenha aumentado em Julho de forma mais intensa (mais 0,6 pontos percentuais do que o verificado em Junho) do que a média dos três meses anteriores. Em termos mensais, a inflação subiu 0,1 por cento não reflectindo o efeito dos saldos.
Mas nem só de IVA viveu a inflação de Julho. A subida do preços dos combustíveis e de algumas matérias-primas e o facto de comparar com valores homólogos bastante reduzidos ajudam também a explicar esta evolução. Apesar de ser preciso recuar vários meses para encontrar uma subida homóloga tão expressiva, Jorge Santos, Professor no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) salientou ao JN que este nível de inflação não é preocupante e só o seria se continuasse a subir nu movimento sem paralelo com os outros países da Zona Euro, uma vez que faria com que os nossos produtos “perdessem competitividade”.
Entre os preços que mais subiram em Julho estão os dos produtos considerados essenciais, que mais pesam na carteira das famílias e que afectam mais as que têm menores rendimentos. É o caso dos produtos alimentares (mais caros 1,5 por cento em termos homólogos), impulsionados pelas subidas das frutas e hortícolas, peixe ou bebidas não alcoólicas.
Igualmente em alta estiveram os preços das bebidas alcoólicas e do tabaco (mais 4 por cento) e as despesas com habitação, água, electricidade e combustíveis (5,2 por cento). Neste segmento, os produtos que registaram maiores aumentos foram o gás e a electricidade (reflectindo o agravamento do IVA) ou ainda os combustíveis (impulsionados pelo IVA e pela subida do petróleo). Também nos transportes, a inflação homóloga registou em Julho mais 4 por cento, tendo sido de mais 1,2 por cento na restauração e hotéis.
Todas estes movimentos em alta acabaram por anular o efeito sazonal positivo que a época de saldos habitualmente tem. A inflação média dos últimos 12 meses foi nula (0,0 por cento), bem distante dos 1,1 por cento previstos pelo Governo e dos 1,4 por cento pelo Banco de Portugal.
Fonte: Anil
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