O Parlamento Europeu (PE) aprova quinta-feira, em Estrasburgo, a estratégia da União Europeia (UE) para a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre alterações climáticas, que se realiza em Dezembro, em Bali, na Indonésia.
A estratégia foi proposta pela Comissão Europeia (CE) e apresentada pelo seu presidente Durão Barroso, merecendo o apoio do Conselho de Ministros do Ambiente dos 27, presidido actualmente por Portugal. “O documento é bastante equilibrado, incidindo na necessidade de todos os países assumirem compromissos claros”, disse à Lusa a eurodeputada socialista e ex-ministra do Ambiente Elisa Ferreira, que integra a Comissão Temporária sobre as Alterações Climáticas do PE.
Assim, considerou, os países ricos, como os Estados Unidas da América (EUA),que não assinaram o protocolo de Quioto, devem comprometer-se com claras reduções das emissões de gases poluentes, bem como a China, Índia e Brasil.
Recordando o “papel pioneiro” que a UE tem na luta contra as alterações climáticas, Elisa Ferreira propõe que se comece a trabalhar “em compromissos sectoriais a nível mundial”.
A eurodeputada defende a necessidade destes compromissos, nomeadamente, em sectores onde a UE poderá enfrentar concorrência desleal de países que não lhes imponham quotas de redução de emissões de dióxido de carbono (CO2), como a siderurgia ou a indústria automóvel.
Uma solução poderá ser, no futuro, a definição de comércios sectoriais de licenças de emissão de gases com efeito de estufa a nível mundial.
O eurodeputado social-democrata Duarte Freitas, também membro da comissão temporária, considerou que sem a adesão dos EUA e de economias emergentes como a China e Índia não será possível lutar contra as alterações climáticas.
Destacando o “papel pró-activo” da UE, lembra que o protocolo de Quioto foi negociado em 2002. “Quando chegarmos a 2020, o cenário será muito diferente”, sublinhou. “Esta é uma matéria concreta em que se vê que a UE tem condições para liderar”, adiantou também, referindo que os europeus estão sensibilizados para o cumprimento de “objectivos ambiciosos”.
No texto que será levado a Bali, a UE apela aos países industrializados para que contribuam “para o esforço global” de estabilizar os níveis de gases com efeito de estufa na atmosfera num nível consistente com o objectivo de não aumentar mais de dois graus Celsius a temperatura global, em relação a 1990.
Os 27 pedem ainda para que todos contribuam para o crescimento de uma economia de baixo-carbono, nomeadamente através da investigação científica no âmbito das energias limpas e nas renováveis.
A criação de um mercado global de carbono é outra das medidas que serão apresentadas pelo bloco europeu – liderado por Portugal – em Bali, na Convenção-Quadro da ONU sobre as Alterações Climáticas, que terá lugar na ilha indonésia, de três a 14 de Dezembro, e onde será discutido o período pós-Quioto.
O Protocolo de Quioto, cuja vigência termina em 2012, impõe à UE uma redução das emissões de oito por cento, entre 2008 e 2012, em relação a 1990.
Além do compromisso de reduzir em pelo menos 20 por cento até 2020 (em relação a 1990) a emissão de gases com efeito de estufa, principalmente o CO2, a posição comum dos 27 Estados da UE em Bali irá ainda chamar a atenção para o problema da gestão sustentável dos solos e o combate à desflorestação e a defesa da biodiversidade, entre outros temas.
Fonte: Confragi
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