PCP quer esclarecimentos do Governo sobre reservas de açúcar do país

O PCP pediu ontem que os secretários de Estado da Agricultura, Luís Vieira, e do Comércio, Fernando Serrasqueiro, sejam ouvidos no Parlamento para prestarem esclarecimentos sobre as reservas de açúcar refinado disponíveis no país.

O deputado do PCP Agostinho Lopes disse que este pedido foi formalizado ontem na Comissão de Agricultura. “A nossa ideia é que seja uma audição rápida, que possa processar-se ainda durante os trabalhos parlamentares deste ano, de forma a termos um ponto da situação por parte do Governo relativamente a este problema da falta de açúcar no comércio de retalho, de ‘stocks’ para os próximos meses”, acrescentou.

O PCP quer que o Governo faça “um ponto da situação, um balanço de quais são as reservas, o que é que existe de açúcar refinado no país”, precisou.

Agostinho Lopes adiantou que o PCP entregou também, ontem, no Parlamento uma pergunta dirigida aos ministérios da Agricultura e da Economia, para saber “que avaliação/balanço rigoroso faz o Governo do ‘stock’ de açúcar refinado no país e as necessidades de consumo habituais nos próximos meses” e das “quantidades de rama já negociadas e as necessidades para a laboração normal da indústria portuguesa do sector”.

Neste documento, o PCP refere que se registou “durante a última semana uma situação de escassez de açúcar no comércio a retalho, com corrida às lojas, racionamento, esgotamento de ‘stocks’ e a evidente possibilidade de acção especulativa”.

“O problema assume particular gravidade na época que atravessamos, bem conhecido que é o aumento do consumo de açúcar, quer pelas famílias quer pelos industriais de panificação e pastelaria”, consideram os comunistas, alegando que as informações prestadas pelo Governo até agora sobre este assunto foram “contraditórias” e “pouco esclarecedoras”.

Agostinho Lopes disse à agência Lusa que o PCP pretende perguntar ao Governo “o que é que impediu que as empresas refinadoras tivessem realizado as importações adequadas em tempo e horas” e confrontá-lo com a existência de “açúcar ‘stockado’ numa fábrica de Coruche que pertence a grupos distribuidores, numa quantidade significativa, que nunca foi referida na abordagem deste problema”.

“Uma das razões que nos dizem que está na base das dificuldades da importação de ramas de cana para a refinação é a dificuldade de acesso a créditos bancários. Gostaríamos de ter uma informação precisa por parte de quem deve ter uma outra informação, que sossegue e, sobretudo, impeça esta corrida às lojas e à aquisição de açúcar que pode traduzir-se nalguns casos em especulação de preços”, completou.

Fonte: Agroportal

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