Pão e leite disparam

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Em 2008, pelo décimo ano consecutivo os portugueses ficam com menos poder de compra
O pão, alimento que os pobres de vários países consomem mais do que o recomendado, é o produto que mais deve encarecer em Portugal em 2008.Na capital portuguesa uma carcaça custa 15 cêntimos.

Em 2008 chegará aos 19,5 cêntimos. Este aumento de 30 por cento é previsto pela Associação de Comércio e da Indústria de Panificação, tendo por base a subida de 90 por cento do preço da farinha em 2007. O custo desta matéria-prima tem crescido por causa da utilização de cereais no fabrico de biocombustíveis.

O pão é tão fundamental na alimentação dos pobres que em Marrocos cada um deles consome por ano cem quilos, o dobro dos recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

Também essencial é o leite, cujo preço aumentou 12 por cento, no nosso país este ano. Para 2008 alguns operadores do sector de lacticínios antevêem um aumento idêntico do preço do leite.

Tenha-se em consideração que os preços dos produtos agro-pecuários sobem, globalmente, devido ao crescimento da procura nas chamadas economias emergentes: principalmente China e Índia.

As referidas percentagens são as que mais pesam no bolso dos contribuintes portugueses, visto que superam a taxa de inflação de 2,1 por cento prevista pelo Governo.

Também acima do nível de inflação prognosticado pela equipa governamental estão os novos preços dos transportes públicos, gás, electricidade, portagens, tabaco.

Em média, os transportes públicos ficam 3,9 por cento mais caros; o gás, 3,6 por cento; a electricidade, 2,9 por cento; as portagens, 2,94 por cento; o tabaco, dez por cento. Apenas os preços da água, propinas e taxas moderadoras hospitalares sobem em linha com a taxa de inflação prevista: 2,1 por cento.

Com tais progressões de custos, 2008 é mais um ano em que os portugueses perdem poder de compra. Isto porque o Governo fixou a meta de 2,1 por cento de aumento salarial para os trabalhadores da administração pública. E essa percentagem costuma servir de referência, mais ou menos, para os aumentos salariais dos trabalhadores do sector privado.

Desde 1998 os portugueses com aumentos salariais em função da taxa de inflação prevista pelo Governo ficam com menos poder de compra.

Nos últimos nove anos o pior foi o de 2001, em que o aumento dos preços dos produtos foi de 4,4 por cento, mais 1,6 por cento do que a inflação estimada pelo Governo.

Conforme apurou o nosso jornal no passado dia 15, este ano a diferença entre a inflação estimada e a real faz diminuir 35 euros um salário mensal de 840 euros.

Para evitar a perda do poder de compra, as organizações sindicais da Função Pública reivindicam aumentos salariais intercalares.

PRESTAÇÕES DAS CASAS SOBEM

A taxa de juro euribor a seis meses aumentou 84 por cento desde Dezembro de 2005. Como o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, avisou que vai subir a taxa de juro directora da Eurolândia em breve, espera-se que a euribor a seis meses chegue aos cinco por cento.

Quem contratou um empréstimo para a compra de uma casa de 150 mil euros, a amortizar em 30 anos, pagava 741,34 euros no início de 2007 (taxa de juro euribor a seis meses nos 3,789 por cento). Agora, com a referida taxa de juro a 4,7 por cento, essa prestação é de 919,58 euros (aumento de 178,24 euros). Com a euribor a seis meses nos cinco por cento, a prestação será de 978,27 euros, mais 58,69 euros que actualmente.

PETRÓLEO MAIS CARO

Os aumentos dos preços dos produtos essenciais aos consumidores, em 2008, podem ser superiores aos previstos para o pão e o leite e aos estabelecidos para os transportes públicos, gás, electricidade, portagens e água. A afirmação foi feita ao nosso jornal por um especialista do mercado de capitais, que chama a atenção para o petróleo, matéria-prima que influencia o preço de todos os produtos.

Em Dezembro de 2006, o preço do barril de petróleo era de 61,55 dólares no mercado de futuros de Nova Iorque. Na última sessão, na passada sexta-feira, a fonte energética cotou-se a 96 dólares na praça nova-iorquina. Ou seja: em apenas 12 meses o petróleo ficou 56 por cento mais caro. Para 2008 o banco de investimento norte-americano Goldman Sachs estima que o barril de petróleo chegue aos 150 dólares. Se tal acontecer, o aumento será idêntico ao dos últimos 12 meses e voltará a penalizar, principalmente, as empresas portuguesas transportadoras de passageiros e mercadorias.

AUMENTOS SUPERIORES À TAXA DE INFLAÇÃO PREVISTA

PÃO – + 30 %

LEITE – + 12 %

TABACO – +10 %

TRANSPORTES PÚBLICOS – + 3,9 %

GÁS – + 3,6 %

ELECTRICIDADE – + 3,6 %

ÁGUA – + 2,1 %

Fonte: Correio da Manhã

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