Mercado das empresas de desinfestação ‘aquecido’ pela ASAE

Restaurantes, cafés e pastelarias recorrem cada vez mais às empresas de controlo de pragas para prevenir coimas da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e cumprir a legislação em vigor. As empresas de desinfestação contactadas sustentam que se nota uma maior preocupação dos proprietários dos estabelecimentos desde que a ASAE iniciou funções há dois anos.

Para isto também contribuiu a legislação comunitária que entrou em vigor em Janeiro 2006 e que obriga as empresas do ramo alimentar a terem um sistema de autocontrolo de segurança dos alimentos. O presidente da Aresp (Associação de Restauração e Similares de Portugal), Mário Pereira Gonçalves, afirma que a preocupação dos empresários não é de agora, lembrando que antes da ASAE os estabelecimentos já eram vistoriados por várias entidades. “Pode ter crescido o número de pedidos nestas empresas, mas há anos que nós nos preocupamos com esta situação”, sustentou.

Nuno Botelho, da empresa Higicontrol – Higiene e Controlo, disse à Lusa que “os pedidos têm vindo a crescer devido à legislação e às fiscalizações da ASAE”. Esta afirmação é sustentada por Hugo Pires, da Greenbase: “Nota-se uma maior preocupação das pessoas em eliminar os roedores e baratas, desde que começaram as inspecções da ASAE”. Horácio Rodrigues, da Eurodesinfest, sublinha, por seu turno, que “basta andar numa zona uma brigada da ASAE para começarem os pedidos”.

ARESP contesta
A legislação que obriga as empresas de restauração a analisarem os potenciais perigos para a saúde dos consumidores e a identificação dos locais onde podem ocorrer também foi crucial para consciencializar os proprietários, segundo Henrique Santinho, da empresa Brigada de Desinfecções. “Nota-se uma crescente preocupação de quem tem restaurantes, pastelarias em cumprir a legislação e procurar saber como há-de fazer os tratamentos para evitar o aparecimento de ratos e baratas”, frisou.

O presidente da Aresp contesta estas afirmações, defendendo que os empresários de restauração têm contratos com essas empresas há anos. Mário Pereira Gonçalves admite que o facto da ASAE realizar “uma inspecção mais mediática” pode ter despertado nalguns empresários uma preocupação acrescida. Cláudia Soares, consultora em segurança alimentar, diz que a ASAE só encerra os estabelecimentos em duas situações: falta de licença de utilização e casos muito graves de falta de higiene.

A consultora defende que se devia apostar na formação dos proprietários e funcionários das empresas de restauração, e também dos arquitectos. A consultora em segurança alimentar lembrou ainda que já existia uma lei de autocontrolo desde 1998 (Decreto-Lei n.º 67/98) para garantir a segurança dos produtos alimentares, mas que “nunca ninguém cumpriu”.

Fonte: Anil

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