O arrefecimento da economia norte-americana pode provocar a desaceleração do inflacionamento dos preços dos produtos alimentares. Para alguns especialistas pode verificar-se uma subida “discreta” nos preços dos cereais, não sendo contudo de descurar a hipótese desses mesmos preços estabilizarem ou até sofrerem uma pequena quebra.
O fundamento destas projecções passa pelas expectativas relativas à dimensão da crise económica nos Estados Unidos, cujos efeitos sobre a economia mundial ainda não são previsíveis. “Há uma forte probabilidade de declínio dos preços agrícolas a partir do segundo semestre. Temos pela frente o enfraquecimento dos Estados Unidos, que pode converter-se em recessão leve ou mais profunda”, explicam.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) divulgou um documento para alertar sobre a crise alimentar em 37 países. A crise pode ser explicada, em parte, pelo aumento dos preços entre 2005 e 2006, que chegou a 9 por cento, e se agravou em 2007, com aumentos mais acentuados. Outros motivos seriam os conflitos e desastres naturais. Entre os países da América Latina e Caribe, os mais afectados pela alta no preço dos alimentos seriam Equador, Honduras, Haiti e Nicarágua.
A soja teve preços elevados em 67 por cento neste ano, muito acima do aumento de 2006 (13,65 por cento). O trigo também viu aumentar as suas cotações internacionais de 86 por cento, quase o dobro da ocorrida em 2006 (45 por cento). A procura mundial de cereais subiu cerca de 8 por cento entre 2000 e 2006, principalmente em função do crescimento dos países em desenvolvimento, como a Índia e a China, e esse aumento não foi compensado por acréscimo da oferta. Há uma redução nos stocks de alimentos e a produção caiu 2,4 por cento entre 2005 e 2006, principalmente por causa da diminuição da área plantada e de factores climáticos.
No documento “Crop Prospects and Food Situation”, a entidade estima que o custo total dos alimentos importados em 2007 pelos países de baixo rendimento seria 25 por cento superior a 2006, atingindo mais de 107 mil milhões de dólares. “Precisamos de medidas para evitar que, no curto e médio prazos, a segurança alimentar das pessoas seja ameaçada”.
Fonte: Anil
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