A electricidade pode vir a aumentar de seis a oito por cento, devido aos novos limites às emissões de dióxido de carbono (CO2) colocados pela Europa às grandes indústrias, a partir de 2013.
Esta redução pode levar a um aumento, em média, de três por cento nos preços dos produtos em geral, cujas contas, ontem divulgadas, prevêem que o sector eléctrico nacional, para conseguir reduzir 21 por cento das suas emissões, terá um custo adicional entre 4,7 a 6,6 mil milhões de euros (ME) entre 2013 e 2020, valores que partem do principio que a tonelada de carbono, actualmente a 24 euros, esteja a ser vendida a 38 euros.
Para os sectores da indústria abrangidos pelo sistema de Comércio Europeu de Licenças de Emissão o valor varia entre 2,4 a 3,5 mil ME no mesmo período, o que pode levar a uma subida de mais de três por cento nos produtos como o cimento, vidros ou combustíveis.
Contabilizando todos os sectores, o pacote Energia e Clima, aprovado por Bruxelas, em Janeiro deste ano, poderá custar dez mil ME, em nome do limite a alcançar pelas diferentes indústrias entre 2013 e 2020, período, a partir do qual, a distribuição de licenças de emissões passa a ser gratuita, como acontece até 2012, até à sua extinção para a maioria dos sectores, exceptuando o sector eléctrico, que desde o início terá que pagar pelo que poluir.
No entanto, em Portugal ainda há variáveis que podem alterar este cenários, afirma João Pena, vice-presidente da A.T. Kerney, salientando que o limite de 21 por cento foi estabelecido para o total da Europa, pelo que ainda pode haver uma distribuição diferente do esforço entre os vários Estados-membros.
Outro ponto a registar é a possibilidade de alguns sectores ficarem isentos de obedecer a este limite, uma hipótese que a Europa irá avaliar até 2010, com o objectivo de evitar a deslocação das indústrias mais vulneráveis para países onde não existam limitações para as emissões de carbono.
Por último, as negociações a decorrerem na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre eventuais restrições à importação de produtos de indústrias poluentes localizadas em países terceiros.
Mas há quem duvide que se possa usar o valor de 38 euros por tonelada de carbono para todos os sectores, como é o caso de Júlia Seixas, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Lisboa, quando sublinha que não se pode esquecer que «no sistema electroprodutor é possível produzir a custos baixos» optando por fontes menos poluidoras, como as renováveis, ou seja, «há sectores com folga para conseguir baixar os custos», salienta.
Da mesma faculdade, Francisco Ferreira afirma que, para além do contributo que as renováveis e a utilização de combustíveis fósseis mais limpos poderão dar, não se pode esquecer a eficiência energética, lembrando que estas são «variáveis e que podem reduzir o impacto destas medidas», como a subida dos preços, «no bolso do consumidor».
Fonte: Público e Confagri
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