Leite aumenta 10 cêntimos por litro em Fevereiro

O preço do leite vai subir mais dez cêntimos por litro já a partir do mês de Fevereiro, ultrapassando o aumento anunciado no início do ano.

O acréscimo do preço do leite aos consumidores é, sobretudo, influenciado pela redução do efectivo pecuário e dos produtores que, cada vez mais, trocam as pastagens pela produção de cereais destinados aos biocombustíveis.

Tendo como referência o preço das marcas mais consumidas, como a Agros, a Mimosa e a Gresso, que tem ficado nos últimos tempos pelos 64 cêntimos, em Fevereiro o aumento atinge os 15,6 por cento.

A subida de preços, já para o próximo mês, foi indiciada pela ruptura de stocks verificada em praticamente todas as grandes superfícies portuguesas, com o leite distribuído pela Lactogal esgotado vários dias seguidos, segundo um distribuidor em declarações ao Correio da Manhã.

Diz o mesmo que «quem distribui não tem interesse em colocar leite nas prateleiras dos supermercados nesta altura, sabendo que o pode vender a mais dez cêntimos o litro daqui por duas semanas».

O sector comercial também já mostrou o seu descontentamento afirmando que a escassez de leite no mercado pode agravar a onda inflacionista e a DECO já alertou para o facto de se estar perante um acto que reflecte prejuízos para o consumidor, adiantando que vai pedir esclarecimentos sobre esta matéria ao Governo, nomeadamente ao Ministério da Agricultura.

A administração da Lactogal, contactada pelo Correio da Manhã, optou por não adiantar, «no momento» qualquer estimativa quanto ao impacto da actual falta de leite no mercado para a evolução dos preços em 2008.

Fonte da mesma empresa, detentora das marcas Agros, Gresso, Mimosa e Matinal, para além de produzir a generalidade das linhas brancas, comercializadas nas grandes superfícies, disse que «desde 2007 que se vive a mais grave crise de escassez de leite conhecida nos últimos anos e as causas são diversas».

A dificuldade de licenciamento das explorações é apontada como um dos principais factores para a situação actual vivida no sector em Portugal, onde se têm multiplicado os encerramentos de vacarias.

A Lactogal salienta ainda que a situação tem sido agravada com o aumento da procura do leite a nível mundial, principalmente em mercados emergentes como a China, Índia e Europa do Leste, para além da subida dos custos de produção e às condições climáticas.

Os pastos secos criam dificuldades acrescidas à alimentação dos animais, num altura em que também os preços dos cereais estão sob forte pressão mundial.

A falta da matéria-prima é um dos maiores problemas que o sector enfrenta, devido às doenças que atingiram os animais do Norte da Europa, onde muitos produtores nacionais os compravam.

Actualmente uma vaca leiteira pode custa cerca de 2500 euros, o que, no entender dos produtores, representa um investimento muito elevado, estimando-se que nos últimos dois anos mais de milhar e meio de produtores de leite desistiu da actividade, principalmente nas regiões de Entre Douro e Minho e Beira Litoral.

As exigências de licenciamento, o crescente custo dos factores de produção e a baixa rentabilidade do leite, estão entre as razões mais fortes para o abandono por parte dos produtores.

Como consequência, em Portugal produziu-se menos 70 milhões de litros, na última campanha, ficando cinco por cento abaixo da quota estimada, ou seja, uma redução na produção contrariada pelo aumento do consumo de leite e derivados verificado a nível mundial, o que fez a indústria responder às necessidades com o aumento dos preços do litro ao produtor, não verificados há 15 anos.

As cooperativas que fazem a recolha do leite estão a pagar em média 45 cêntimos por litro, ou seja, mais 12 cêntimos do que no início de 2007.

Fonte: Agrodigital e Confragi

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