De acordo com a primeira estimativa das Contas Económicas da Agricultura (CEA) para o ano de 2008, o INE estima que o Rendimento da Actividade Agrícola em Portugal apresente um acréscimo de 4,8% relativamente a 2007.
O ano agrícola de 2007/2008 caracterizou-se por um Outono/Inverno com precipitação escassa e ausência de humidade no solo, Primavera com precipitação intensa e Verão ameno. Este quadro meteorológico favoreceu alguns cereais, pastagens e forragens, prejudicando, no entanto, pomares, azeitona e vinho. Estima-se que a Produção do ramo agrícola tenha crescido 1,1% em volume e 5,6% em valor, em 2008. A evolução em volume reflecte comportamentos diferentes das duas principais componentes, com a produção vegetal a diminuir 2,3% e a produção animal a aumentar 6,6%.
O Consumo Intermédio deverá aumentar em termos nominais 9%, em consequência do crescimento elevado dos preços, que estarão ainda a reflectir os impactos indirectos do elevado crescimento do preço do petróleo e de outras matérias primas até meados do corrente ano nos mercados internacionais. Efectivamente, descontado este efeito de crescimento dos preços, estima-se que em 2008 tenha ocorrido uma pequena diminuição em volume do Consumo intermédio, na ordem de -1%.
Em resultado do diferencial entre o crescimento nominal da Produção e do Consumo Intermédio, espera-se que o do Valor Acrescentado Bruto (VAB), a preços de base, registe um decréscimo nominal de 1,6%, em 2008. No entanto, como este diferencial reflecte a desigual dinâmica de preços, em volume, o VAB deverá registar um crescimento na ordem de 6,4%.
A evolução nominal negativa do VAB deverá ser mais que compensada pelo aumento de Outros subsídios à produção, que deverá atingir 14,5%, permitindo que o Rendimento dos Factores aumente 2,4% em 2008. Em termos reais, o aumento deverá ser marginalmente positivo (0,3%) o que, conjugado com uma redução no Volume de Mão-de-obra Agrícola (VMOA), que se estima em -4,3%, deverá conduzir a um aumento do rendimento da actividade agrícola em cerca de 4,8%, em termos reais, face ao ano anterior. Refira-se que em 2007 este indicador registou uma variação de -4,1%.
PRODUÇÃO VEGETAL
O quadro meteorológico de 2007/2008 afectou negativamente a produção de batata, vinha e pomares. É expectável que, em 2008, a Produção Vegetal registe um acréscimo, em valor, de 1,5%, destacando-se os acréscimos nominais nos cereais (+16,1%) e os decréscimos, em valor, na batata ( 30,3%) e azeite (-30,4%). Em volume, a Produção Vegetal deverá decrescer 2,3%, estimando-se um aumento dos preços de base (+3,9%).
Em 2008, os cereais caracterizaram-se por um acréscimo de produção, resultante de um aumento na produtividade e áreas cultivadas. A forte subida dos preços em 2007 e parte de 2008 estimulou a produção de cereais, apesar da escalada dos preços nos meios de produção (v. consumo intermédio). Não obstante o aumento generalizado do preço de todos os outros cereais, ocorreu uma redução pronunciada (-26,4%) nos preços do milho, no produtor, em virtude da existência de grandes quantidades em stock nos importadores e de uma menor procura. O peso deste cereal na estrutura de produção de cereais (56,5% em 2007) contribui fortemente para que os preços, neste grupo de produtos, apresentem uma estabilização face a 2007 (+0,2%).
A produção de batata decresceu 18,2%, em volume, determinada pelas condições climatéricas e decréscimo da área cultivada (causado pelas dificuldades de escoamento da produção em 2007 e aumento dos custos de produção em 2008). Os tubérculos apresentaram calibres reduzidos e problemas de conservação, provocando um decréscimo pronunciado nos preços (-14,7%).
As condições meteorológicas adversas condicionaram a quantidade e qualidade de azeitona para azeite nas campanhas de 2007/2008 e 2008/2009, prevendo-se, por isso, uma redução no azeite laborado em 2008, em volume e preço (-30,1% e -0,4%, respectivamente).
PRODUÇÃO ANIMAL
Estima-se que a Produção Animal registe um acréscimo de 11,8%, em valor, destacando-se os acréscimos nominais nos Bovinos e Leite (+14,0% e +16,6%, respectivamente). No geral, o volume da produção animal deverá aumentar 6,6%, enquanto que os preços de base deverão crescer 4,9%.
O acréscimo estimado para o volume da produção de Bovinos (+20,9%) constitui uma recuperação da produção, após os maus resultados de 2007. O decréscimo observado nos preços (-5,7%) deve-se à forte diminuição registada nos vitelos, uma vez que se deve verificar uma estabilização do nível dos preços nos bovinos adultos.
Prevê-se que a produção de Suínos apresente um aumento, em volume, de 7,0%. Os preços deverão registar um acréscimo de 5,9%, apesar da grande oferta de animais no mercado nacional. Este acréscimo constitui uma recuperação, em virtude da forte quebra de preços observada em 2007 e reflectirá também alguma compensação face ao aumento dos custos de produção.
Em 2008 deverá assistir-se a um acréscimo, em volume (+3,4%) e preço (+1,5%), da produção de Aves de Capoeira. A actual conjuntura, mais estável após o declínio dos preços dos alimentos para animais no segundo semestre de 2008 (depois da boa colheita de cereais), provocou um aumento na oferta de animais para abate.
O leite deverá observar um aumento significativo de preços (+13,3%), graças a uma maior procura e aumento dos custos de produção. 2007 foi marcado por escassez de matéria-prima para a indústria de lacticínios, provocada pela subida dos preços dos cereais (logo, alimentação animal), desligamento das ajudas à produção e a transferência de produtores de leite para a produção de bio-combustíveis. O aumento previsto para o volume de leite (+2,9%) constitui uma reacção dos produtores à procura.
CONSUMO INTERMÉDIO (CI)
Em 2008, o CI deverá aumentar 9,0% em valor. Este acréscimo é determinado pelo agravamento dos preços (+10,6%), uma vez que é estimado um decréscimo de 1,4% em volume. A principal causa para esta evolução nos preços é o aumento generalizado dos preços dos meios de produção, com especial destaque para os acréscimos observados nos adubos e correctivos do solo (+53,9%), produtos fitossanitários (+17,4%), energia e lubrificantes (+14,5%) e alimentos para animais (+13,0%). De um modo geral, o forte crescimento dos preços é explicável pelo aumento da procura a nível mundial (aumento de consumo pelos países emergentes), bem como o acréscimo de preços das matérias-primas. No caso dos adubos, o aumento dos impostos sobre a exportação em países produtores como a China reforçou o desequilíbrio entre a oferta e procura, ampliando o crescimento dos preços.
A alimentação animal constitui a rubrica mais importante do CI (estima-se que represente 39% em 2008). Prevêse que esta rubrica apresente um decréscimo, em volume, de 1,2%. Esta evolução deve-se, em parte, ao decréscimo previsto para o consumo de alimentos compostos para animais. A descapitalização da pecuária, muito afectada pela alta dos preços dos alimentos compostos, decorrente da forte subida nos preços das matérias primas, em 2007 e no primeiro semestre de 2008, provocou uma redução da procura em todos os segmentos de mercado. Apesar de significativo, o aumento de preços observado encontra-se já atenuado pelo decréscimo dos preços dos cereais e oleaginosas no segundo semestre de 2008.
SUBSÍDIOS
Estima-se que, entre 2007 e 2008, o total de Subsídios pagos aos agricultores aumente 12,8%. Em termos estruturais, em virtude do Regime de Pagamento Único (RPU), mantém-se a transição progressiva dos montantes registados em “Subsídios aos produtos” para “Outros subsídios à produção”. Esta transição é menos evidente em 2008, por se terem verificado pagamentos referentes a anteriores Quadros Comunitários de Apoio (QCA) e regularizado pagamentos referentes a campanhas anteriores. Os Outros subsídios à produção passaram a representar 77% do total de Subsídios (76% em 2007).
É expectável que o valor de “Subsídios aos produtos” cresça 7,6%. A maior redução relativa deverá ser no tomate para indústria, em virtude da nova Organização Comum de Mercado (OCM) horto-frutícola (em que os apoios passam a ser desligados da produção), existindo uma ajuda transitória até 2011. Em contrapartida, deverão ocorrer acréscimos nos Cereais, Ovinos e caprinos e Leite, provocados por aumentos das áreas/produção e regularização de pagamentos. Relativamente aos “Outros subsídios à produção”, espera-se um acréscimo de 14,5% explicado, essencialmente, pelo arranque do Plano de Desenvolvimento Rural (PDR) 2007-2013.
RENDIMENTO EMPRESARIAL LÍQUIDO
Em relação às restantes rubricas do Rendimento Agrícola, destaca-se o ligeiro acréscimo nas Rendas a pagar (+1,2%), associado ao aumento das áreas de algumas culturas arvenses e girassol, atenuado pelo decréscimo nas superfícies de arroz, tabaco e batata. Os Juros a pagar deverão observar um decréscimo de 2,3%, causado por uma ligeira diminuição da taxa de juro, em relação a 2007, uma vez que os montantes de crédito se deverão manter. As Remunerações dos assalariados deverão aumentar 2,5%, evolução atenuada pelo decréscimo expectável no VMOA. No cômputo final, deverá verificar-se um acréscimo nominal de 3,2% no Rendimento Empresarial Líquido (REL).
Fonte: Agroportal
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