As previsões agrícolas, em 31 de Agosto, apontam para um ano vitícola marcado por intensos problemas fitossanitários e quebras nos rendimentos. Na fruticultura, apesar da diminuição generalizada da produtividade dos pomares, existem boas perspectivas para a comercialização da pêra rocha. A campanha das culturas de Primavera/Verão decorre com relativa normalidade, embora se registem atrasos na maturação.
A primeira década do mês de Agosto caracterizou-se por tempo quente, com temperaturas acima da normal. Em meados do mês ocorreu um ligeiro arrefecimento, com alguns dias de céu muito nublado acompanhados de aguaceiros, que nalguns locais foram de granizo e trovoada. O ano agrícola 2006/07 tem sido fortemente marcado por graves problemas fitossanitários, com especial destaque para os intensos ataques de míldio, oídio e podridões nas vinhas, batatais, tomate para a indústria e hortícolas, enquanto que nas fruteiras o destaque vai para a carepa (acidente fisiológico) e stenfiliose (doença das manchas castanhas) nos pomares de pereiras. Esta situação obrigou ao aumento dos tratamentos fitossanitários e à consequente subida dos encargos, com reflexo negativo no rendimento das culturas.
Primeiras colheitas de milho revelam boas perspectivas
As condições climatéricas ocorridas ao longo do ciclo vegetativo das culturas de Primavera/Verão, designadamente do milho e do arroz, condicionaram o seu desenvolvimento provocando atrasos, nalguns casos significativos, que faziam prever quebras nas respectivas produtividades. No entanto, as primeiras colheitas de milho revelaram-se animadoras. O grão apresenta uma qualidade razoável, nomeadamente em termos de peso específico, pelo que se prevêem aumentos de produtividades na ordem dos 10% para o milho de regadio e dos 5% para o de sequeiro. Pelo contrário, as actuais previsões para a cultura do arroz continuam, em consequência do Verão muito ameno e do menor número de horas de sol, a apontar para um ligeiro decréscimo dos rendimentos unitários (-5%).
Leguminosas secas, feijão e grão-de-bico com produtividades normais
As leguminosas secas, feijão e grão-de-bico não se ressentiram das condições climatéricas, pelo que se prevê a manutenção das respectivas produtividades, face ao ano anterior.
Manutenção das produtividades do tomate para indústria
No tomate para indústria as excelentes perspectivas iniciais, resultado da abundante floração e do bom vingamento dos frutos, foram refreadas pelos ataques de míldio, prevendo-se assim a manutenção da produtividade, face à campanha anterior.
Indústria de produção de biodiesel utiliza girassol nacional
A União Europeia aprovou uma Directiva (2003/30/CE, de 8 de Maio) para promover a utilização de biocombustíveis nos transportes, impondo a cada Estado Membro a integração de 5,75% de biocombustíveis nos combustíveis automóveis fósseis convencionais em 2010, 8% em 2015 e 20% em 2020. O Governo português aumentou esta fasquia para 10%, já em 2010. Paralelamente, foi também aprovada outra Directiva (2003/96/CE, de 27 de Outubro) que permite aos Estados Membros estabelecer isenções e reduções fiscais nos biocombustíveis. Neste sentido foram seleccionadas, numa primeira fase, seis empresas produtoras de biocombustíveis que irão beneficiar da isenção de imposto sobre produtos petrolíferos (ISP) em 2007, ficando responsáveis pela produção de 205 mil toneladas biocombustíveis.
Os biocombustíveis mais comuns são o biodiesel produzido a partir de oleaginosas (girassol, soja, colza, palma) e o bioetanol produzido a partir de cereais (milho, trigo), beterraba sacarina e biomassa florestal.
Portugal, à semelhança de outros países, iniciou a produção de biocombustíveis pelo biodiesel, produzido a partir de oleaginosas, matéria-prima para a qual o contributo da agricultura portuguesa continua a ser tradicionalmente reduzida.
Apesar de nem todas as operadoras terem apostado na produção de girassol nacional, a área contratualizada com os agricultores excedeu os 16 mil hectares, o que representa ainda assim, previsivelmente, menos de 10% da matéria-prima da indústria dos biocombustíveis. O acompanhamento técnico efectuado pelas operadoras junto dos produtores de girassol permitiu um acréscimo significativo de produtividade, devendo situar-se próxima dos 1 000 kg/ha.
Numa segunda fase, com a isenção do ISP para o bioetanol, o contributo da matéria-prima nacional poderá ser substancialmente superior, com reflexos positivos na dinamização da actividade agrícola.
Quebra generalizada da produtividade dos pomares
A produtividade de pêra deverá, devido à diminuição do calibre em consequência da falta de horas de calor, registar uma quebra de 15%, em relação à campanha anterior. A qualidade foi prejudicada pelos ataques de stenfiliose, mas principalmente devido à carepa, importante problema fisiológico que desvaloriza os frutos pela redução do tamanho, aspecto e deformação, embora melhore algumas características que o mercado não aproveita, como a firmeza da polpa, acidez, teores de açúcar e aromas. No entanto, a previsão de quebra na produção europeia faz antever, ainda assim, boas perspectivas para o mercado internacional da pêra rocha.
A queda localizada de granizo, em algumas áreas de produção de maçã, agravou a previsão de quebra no rendimento unitário, prevendo-se um decréscimo na ordem dos 20%, face à colheita passada.
Os pomares de kiwis apresentam grande heterogeneidade embora, de um modo geral, os frutos exibam calibres pequenos.
Nos amendoais a ocorrência de geadas tardias, intensa precipitação e granizo nalgumas zonas de produção, determinaram uma quebra de produtividade (-10%).
Rendimento da uva para vinho cai 20%
Na vinha para vinho a ocorrência de variações térmicas e muita humidade proporcionaram as condições favoráveis ao aparecimento e proliferação de doenças criptogâmicas, míldio e oídio, e acidentes fisiológicos, designadamente o desavinho (as flores não originam frutos) e, embora com menor incidência, a bagoinha (no mesmo cacho aparecem, além de bagos normais, outros de dimensões reduzidas, por vezes sem grainha e sem atingirem a maturação). Desta forma, as perspectivas para a viticultura não são animadoras, prevendo-se por um lado, uma quebra na produtividade da uva para vinho na ordem dos 20%, que em algumas regiões deverá ser próxima dos 50% e, por outro, um aumento dos encargos resultantes dos inúmeros tratamentos fitossanitários efectuados no combate ao míldio e oídio.
Batata: bons calibres determinam aumento de produtividade
A colheita da batata tem decorrido com normalidade e encontra-se praticamente concluída prevendo-se, em virtude dos bons calibres, um aumento de produtividade de 5%. As intensas chuvas de Junho e Julho provocaram fortes ataques de míldio o que, para além de prejudicar a qualidade da batata, poderá vir a colocar alguns problemas de pós-colheita, nomeadamente dificuldades de conservação e armazenamento dos tubérculos.
Produção de laranja quebra 15%
A colheita da laranja no Algarve, principal região produtora, é efectuada de forma escalonada podendo no entanto distinguir-se 3 épocas: de Novembro a Março colhem-se as variedades tradicionais (New Hall, Dalmau e Baia), de Março a Maio colhem-se as variedades Lane Late, Rhodes e Barnfield, muito apreciadas pelo mercado devido às suas características (doces de casca fina e pouco manchadas), mas ainda pouco representativas, embora com muitos pomares novos; finalmente de Maio a Setembro é efectuada a colheita da Valencia Late e D. João.
De um modo geral, a produção de laranja em 2006/07 deverá registar uma quebra na ordem dos 15%, para a qual contribuíram os elevados teores de humidade durante a floração, que originaram uma queda anormal de flor. Também o stress e o consequente enfraquecimento das laranjeiras, resultado das dificuldades de escoamento ocorridas na campanha anterior e que obrigaram à prolongada permanência das laranjas nas árvores, contribuíram para o mau vingamento do fruto.
De referir ainda que as variedades de Inverno (New Hall, Dalmau e Baia) apresentavam coloração verde, tendo sido necessário recorrer ao processo de “desverdização”. Nas variedades de Verão os prejuízos causados pela mosca-do-mediterrâneo foram significativos nalguns pomares.
Quebra na produção de pêssego e manutenção na uva de mesa
A produção de pêssego em 2007 não deverá ultrapassar as 45 mil toneladas, o que reflecte um decréscimo de 10%, face ao ano anterior.
A produção de uva de mesa não foi afectada, apesar das condições não terem sido particularmente favoráveis, , prevendo-se a manutenção do rendimento unitário, face à vindima anterior.
Climatologia em Agosto de 2007
Segundo o Instituto de Meteorologia, o conteúdo de água no solo, no final do mês de Agosto, apresentava valores inferiores aos normais para a época.
Fonte: Agroportal
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