Um grupo de peritos da União Europeia começará a trabalhar com a Comissão já na semana que vem, com o objectivo de ajudar a estabilizar o sector leiteiro e os rendimentos dos produtores de gado. A comissária Mariann Fischer Boel, anunciou que a primeira reunião está marcada para dia 13 e que a partir daí os encontros serão de carácter mensal.
«O objectivo é que os peritos terminem o trabalho o mais tardar no final de Julho de 2010».
Depois de um almoço informal com os ministros da agricultura dos 27, a Comissária Europeia da Agricultura sublinhou que é consensual «que as decisões tomadas até agora são para manter». Entre os objectivos do grupo está o restabelecimento do equilíbrio entre os produtores e a indústria, através de «relações contratuais» que harmonizem a oferta e a procura.
paisagem», questiona Jaime Silva
Governo recusa política do sector do leite “para sete Estados-membros”
O ministro da Agricultura, Jaime Silva, em Bruxelas que é “inaceitável” haver uma política do sector do leite apenas “para sete Estados-membros”, apelando à manutenção das capacidades produtivas em todas as regiões da Europa. “A UE não pode partir do princípio de que só os mais competitivos é que ficam”, disse Jaime Silva, à saída de uma reunião extraordinária do conselho de ministros da Agricultura dos 27 dedicada à crise do sector do leite.
“E aí vamos fazer o quê? Guardar a paisagem?”, questionou, lembrando ser esta a terceira vez que se discute a questão. “Isso é inaceitável”, sublinhou, acrescentando que a Comissão Europeia é um órgão político e, como tal, “não pode ignorar a situação em 20 Estados-membros”.
“Em Portugal temos que ter um sector leiteiro forte, pela importância que tem na nossa produção agrícola, no nosso emprego e nas nossas regiões”, disse o ministro. “Temos um mercado mundial que muda de um dia para o outro”, lembrou Jaime Silva, apelando à necessidade de serem tomadas medidas que estabilizem o sector.
O governante defende “medidas de apoio à exportação e de apoio à competitividade”. Jaime Silva referiu ainda a necessidade de serem criados “mecanismos que estabilizem os preços”, como a “intervenção com preços sustentados”, exigida pelos produtores europeus de leite. “A União Europeia tem que perceber uma coisa, nós temos que manter capacidades produtivas em todas as regiões da Europa”, acrescentou.
Vinte Estados-membros querem que Bruxelas adopte medidas de curto prazo e uma nova regulamentação para ajudar os produtores a enfrentar a crise. Este grupo, liderado pela França e Alemanha, inclui Áustria, Bélgica, Bulgária, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, Hungria, Itália, Irlanda, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Polónia, Portugal, Roménia e República Checa.
“Deste conselho saiu a decisão de criar imediatamente um grupo de alto nível, com prazos para dar respostas, que apresente um novo quadro regulamentar que trate concretamente destas flutuações bruscas de mercado,” adiantou.
A hipótese de criação deste grupo tinha já sido avançada pela comissária europeia Mariann Fischer Boel, que avançou que o grupo será liderado pelo director-geral de Agricultura da Comissão Europeia e constituído por representantes dos Estados-membros.
Para a responsável comunitária pela Agricultura, o grupo de trabalho “irá olhar além da crise actual, procurando modos de ajudar o sector dos lacticínios a ajustar-se a um mundo sem quotas” de produção, sistema com fim marcado para 2015.
Sócrates tem “toda a liberdade” para escolher Governo
O ministro da Agricultura, Jaime Silva, escusou-se também em Bruxelas a esclarecer se integrará o próximo Governo, dizendo que José Sócrates “tem toda a liberdade” para escolher o seu executivo. “Quem ganhou estas eleições foi o engenheiro Sócrates”, disse, acrescentando que este “tem a legitimidade e a liberdade de, depois de indigitado pelo Presidente da República, criar o seu governo”, disse Jaime Silva, à margem de um conselho de ministros da Agricultura da União Europeia.
Agricultores manifestam-se enquanto ministros discutem crise do leite
Manifestantes lançaram ovos e castanhas a quem entra na sede do Conselho Europeu, em Bruxelas, onde os ministros da Agricultura dos 27 se reuniram num almoço informal sobre a crise do leite, sem qualquer decisão. O chamado “bairro europeu” foi isolado pela polícia belga, estando os manifestantes – cujo número era estimado em mil – limitados por barreiras e um forte cordão policial.
A crise do sector do leite está já há meses na agenda comunitária, sem grandes soluções à vista. De um lado, os agricultores exigem medidas para o sector, nomeadamente o aumento dos preços ao produtor, ajudas de Estado e a redução das quotas de produção. Do outro lado, a Comissão Europeia recusa rever a decisão de aumentar as quotas até à sua abolição, em 2015, e não quer pagar do orçamento comunitário um aumento artificial dos preços.
Fonte: Anil
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