Se uma pandemia de gripe atingir os Estados Unidos dentro de um ano, de pouco adiantarão os esforços para a conter, indica um estudo baseado num novo modelo de computador publicado pela revista Nature.
Se nada for feito, uma pandemia de gripe deverá infectar uma em cada três pessoas. Mas se o governo agir a tempo e dispuser de suficientes antivirais para os usar preventivamente – o que não é o caso nos EUA – isso poderá limitar a cerca de 28% a população afectada, refere o estudo.
«Os resultados em ambos os casos são muito pessimistas», disse o principal autor do trabalho, Neil Furguson, do departamento de Epidemiologia de Doenças Infecciosas do Imperial College de Londres.
Até agora, o vírus H5N1 da gripe das aves – que não é ainda pandémico por não se transmitir facilmente de pessoa a pessoa – infectou 204 pessoas e matou 103, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).
A maioria dos casos humanos ocorreram na Ásia, mas apareceram na Europa aves contaminadas com o vírus.
A simulação informática de Furguson é a segunda divulgada este mês e é mais pessimista que a apresentada por Timothy Germann, do Laboratório Nacional Los Álamos, segundo a qual a gripe poderia ser menos infecciosa e os esforços para a conter teriam algum efeito.
Medidas como o encerramento de escolas e o uso do antiviral Tamiflu poderiam reduzir o número de mortos. Mas os esforços para impedir a entrada da gripe nos EUA, nomeadamente em aviões com passageiros doentes, não resultarão, afirma Furguson.
No máximo, estima o cientista, poderiam atrasar duas semanas a instalação da doença.
Se os EUA dispusessem de medicamentos antivirais suficientes para um quarto da população, os modelos de computador mostram que o número de pessoas infectadas baixaria de 102 milhões para cerca de 84 milhões, segundo o estudo. Este montante desceria para 33 milhões se houvesse medicamentos para metade da população.
Bill Hall, porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, diz que o Governo disporá de 28 milhões de tratamentos antivirais (9,3% da população), mas admitiu ter apenas à mão medicamentos para cinco milhões de pessoas (1,7%). Os outros 23 milhões de tratamentos (cada um com dez doses) estão encomendados e só chegarão no final do ano. O plano tem por objectivo chegar a 81 milhões de tratamentos (27,1%) até 2008. «Com 25% não iremos muito longe, e não estamos perto disso», afirmou o co-autor do estudo, Donald Burke, professor de Saúde e Epidemiologia Internacional na Faculdade de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins. «Se a epidemia chegar antes de termos medicamentos e vacinas suficientes, o seu impacto será substancial».
Fonte: Diário Digital
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