Gripe das aves mata três crianças numa só família

A gripe das aves poderá ter provocado uma terceira morte na Turquia. Hulya Kocyigit, de 11 anos, irmã das duas primeiras vítimas, faleceu ontem de manhã depois de vários dias nos cuidados intensivos do hospital de Van. Um quarto irmão, de seis anos, continua internado, mas, segundo os médicos, o seu estado de saúde está a melhorar e já não precisa de respiração artificial.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que este novo surto está confinado e que não há razão “para pânico supérfluo”, pois “a primeira hipótese de trabalho é que as crianças tocaram e brincaram com frangos doentes, tendo sido infectadas desta maneira”. Contudo, o porta-voz da OMS, Fadela Chaib, acrescentou que os peritos que ontem chegaram à Turquia “vão também tentar saber se estamos perante um primeiro caso de transmissão entre humanos, o que seria o início de uma epidemia de gripe.”

As primeiras análises realizadas no hospital de Van não detectaram a presença do vírus da gripe das aves na pequena Hulya, ontem falecida, revelou o secretário de Estado da Saúde, Necdet Ünüvar. No entanto, laboratórios britânicos confirmaram já que as duas primeiras crianças turcas mortas esta semana sucumbiram à estirpe H5N1 da gripe das aves, o vírus responsável pela morte de mais de 70 pessoas na Ásia desde 2003. E uma outra criança, identificada como Yusuf Tunc, está também internada em Van infectada com este vírus, reconheceu este responsável.

Entretanto, seis focos de gripe das aves foram detectados nos últimos dias no Sul da Turquia. 20 pessoas, na sua maioria crianças entre os seis e os 16 anos, encontram-se em observação no hospital de Van e a localidade de Dogubeyazit, na Anatólia, onde reside a família Kocyigit, foi colocada de quarentena pessoas e animais estão impedidos de entrar ou sair da cidade. Em Diyarbakir, principal cidade do Sudeste da Turquia, seis pessoas foram hospitalizadas com sintomas semelhantes aos da gripe das aves – trata-se, mais uma vez, de um drama familiar, uma vez que entre os internados encontram-se cinco crianças da mesma família, com idades entre os seis e os dez anos.

Europa fora de perigo. Apesar de a gripe das aves estar agora “às portas da Europa”, a OMS considerou ontem que o pânico deve ser evitado, já que a infecção está “circunscrita a uma província” contaminada do Leste da Turquia.

“O contexto destes casos é o mesmo do já registado na Ásia”, explicou ao DN o director-geral de Veterinária, Carlos Agrela Pinheiro. “Foi declarado um foco de gripe das aves naquela região e, como se sabe, as pessoas ali contactam muito directamente com animais. Provavelmente os animais – gansos, patos, galinhas – coabitam com pessoas numa grande promiscuidade. São hábitos que não têm nada a ver connosco”, garantiu, deixando bem claro que os países europeus, e em particular Portugal, não devem temer a doença. Além disso, “não há nenhuma rota migratória descrita que venha da Turquia para Portugal”. As aves migratórias que passam por Portugal fazem a sua rota pelo Norte da Europa.

Medidas especiais. Em Dogubeyazit, as autoridades continuam o trabalho de desinfecção tentando evitar a propagação do vírus. Com máscaras e roupas especiais, as equipas de inspecção sanitária andam de porta em porta pedindo aos habitantes que se desfaçam dos frangos e patos que vivem nos quintais e que, na sua maioria, servem para alimentação própria.

Segundo o ministro da Agricultura Mehdi Eker, já morreram 1300 aves com H5N1e outras sete mil foram abatidas para evitar a propação da doença. Este responsável sublinhou que problema da gripe das aves na Turquia é agravado pelo facto de praticamente cada casa ter uma capoeira e de as pessoas permitirem que as aves entrem nas casas. Abastecimentos extra do medicamento Tamiflu (o único antigripal considerado eficaz nestes casos) foram enviados para os hospitais da zona. “Acreditamos que não haverá muitas pessoas contaminadas”, afirmou o ministro da Saúde Recep Akdag. “Não estamos à espera de uma pandemia ou algo parecido na Turquia, mas as pessoas que estiveram em contacto com as aves correm um risco real.”

Fonte: DN

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