O director-geral de Veterinária desdramatizou hoje o aumento do perigo de propagação de gripe das aves com a aproximação da época das migrações da Europa para África, garantindo que as autoridades manterão o m esmo plano de vigilância.
Segundo Carlos Agrela Pinheiro, fizeram-se desde o início do ano 9.500 análises a aves de vida livre e de produção, todas elas negativas.
O director-geral de Veterinária falava aos jornalistas à margem da 45ª reunião luso-espanhola de Saúde e Produção Animal, que até sexta-feira reúne várias dezenas de veterinários num hotel de Faro, Algarve.
Sublinhando que a União Europeia exige que os planos de combate à gripe aviaria sejam iguais nos vários estados-membros, Carlos Pinheiro garantiu que as autoridades continuarão alerta para a possibilidade de aparecimento de casos em Portugal.
Frisou que essa possibilidade “está controlada”, mas adiantou que se manterão as mesmas medidas que vêm sendo tomadas até aqui.
“Não há nenhuma análise positiva em aves dentro da União Europeia e nós temos um nível de restrição compatível com isso”, explicou, observando que, na Europa, só em três casos se manifestou a passagem da doença de aves de vida livre para aves de produção.
Nos outros casos, a maioria, “funcionou o plano de contingência e não chegou a haver a passagem para aves de produção”, disse, vincando que, também em Portugal, se vier a ser detectado qualquer caso em aves de vida livre as autoridades tomarão “as medidas apropriadas”.
O responsável lamentou a “confusão entre a pandemia e a gripe das aves”, explicando que esta última é uma doença do foro estritamente animal, enquanto uma eventual pandemia “seria uma mutação do vírus [H5N1]” que poderia tornar a doença transmissível entre humanos.
“Até agora, as vítimas foram apenas pessoas que estiveram em contacto directo com animais vivos”, recordou.
Por seu turno, o director-geral de Veterinária de Espanha, Carlos Escrivano, reconheceu que durante a época das migrações “os riscos serão maiores”, mas também desdramatizou a situação, adiantando que as autoridades reforçarão o controlo nas zonas de maior perigo.
O responsável garantiu que, no território espanhol, “o plano de contingência funcionou”, depois da detecção de um caso de H5N1 numa ave de vida livre e que, este ano, já foram feitas 68 mil análises, todas negativas.
Nesta reunião, de periodicidade anual, além da gripe das aves, estão a ser discutidos temas relacionados com doenças veterinárias, tais como a língua azul e as salmonelas e os planos de erradicação da tuberculose, brucelose e leucose.
As jornadas incluem também análises sobre a identificação animal, o registo das explorações, os controles veterinários, a regulamentação sobre bem-estar animal, as raças em perigo de extinção, as experiências sobre técnicas de eliminação de cadáveres de animais e a modificação da norma de qualidade dos produtos do porco ibérico.
Fonte: Agroportal
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