Governo incentiva leite biológico

«Temos um problema educacional para resolver», afirma Rui Rosa Dias, numa conversa sobre produção de leite biológico e a pretexto do lançamento, em Janeiro último, do seu livro «Producción y Mercado de Leche Ecológica en Portugal: Estrategias y Tendencias». O professor universitário e investigador da Agros critica, aliás, directamente as escolas e as universidades por não apostarem na «formação e informação para o consumo».

Os consumidores foram «habituados a ter tudo à mesa de forma fácil e rápida». Os padrões de consumo dizem-nos, aliás, que, «à medida que aumenta o rendimento disponível nas famílias, diminui a apetência pelos gastos na alimentação». E isso é «um contra senso absoluto», nota o investigador.

Nem por coincidência, no pacote de novos apoios destinados ao sector do leite que o Ministério da Agricultura anunciou há pouco mais de uma semana, surge, pela primeira vez, um prémio adicional à produção de leite biológico. A verba pode chegar aos três milhões de euros por ano, confirmou o ministro Jaime Silva.

Em Portugal, a Agros foi a primeira marca de produtos lácteos a operar no segmento dos produtos biológicos, lançando, em Janeiro de 2006, o primeiro leite biológico. Seguiu-se-lhe, em Maio de 2007, o iogurte biológico da marca.

Os primeiros produtores surgiram em Ponte de Sôr, depois na Guarda e, agora, em Mogadouro. Produzem, todos, cerca de um milhão de litros de leite por ano e recebem, por cada litro, cerca de mais 20 a 25 por cento do preço do leite em produção convencional.

Note-se que, no modo convencional intensivo, falamos de uma produção de 10/11 mil litros/ano/animal. No modo biológico, «um bom animal pode chegar aos 7500 litros/ano». Há uma «perda significativa», mas um «ganho na cadeia» e na «saúde».

E perguntará o leitor menos familiarizado: o que tem, afinal, de diferente o leite biológico? «Desde logo o animal, a vaca», que cresce e se alimenta de «pastos naturais, sem a aplicação de químicos», dada a proibição de químicos para adubar os terrenos. Aliás, diz Rui Rosa Dias, «se o animal adoecer, também a sanidade animal não pode ser tratada com antibióticos». Em todo o processo metabólico e de maneio animal, «as regras são muito mais estritas». Cada litro de leite embalado é, pois, «diferente, no sabor e nas qualidades organoléticas».

Fonte: Anil

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