As análises químicas exigidas por lei aos resíduos sólidos produzidos pelas ETAR são insuficientes para determinar a toxicidade de lamas espalhadas em solos agrícolas, disse hoje à Lusa fonte do Departamento de Zoologia da FCTUC.
Segundo Tiago Natal, um dos investigadores do projecto ECO- WASTE do Departamento de Zoologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, “temos dados suficientes que nos permitem dizer que as análises químicas exigidas por lei não são suficientes para garantir que as lamas não causam riscos na agricultura, por exemplo”.
“A legislação só obriga a que sejam feitas análises à componente química, nomeadamente aos metais e alguns compostos orgânicos. Pretendemos que sejam também incluídas análises à componente biológica”, acrescentou.
Uma equipa de investigadores do Departamento de Zoologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a realizar um estudo inovador de avaliação do risco ecológico em solos contaminados pelo uso de lamas (resíduos sólidos produzidos em Estações de Tratamento de Águas Residuais – ETAR), resultantes de actividade industrial, agro-industrial e de efluentes urbanos.
O cientista explicou que a utilização de lamas com “acumulação de metais, outras substâncias orgânicas e até substâncias desconhecidas”, em solos agrícolas põe em causa “a qualidade do produto agrícola”.
O estudo em curso permitiu, para já, concluir que “algumas lamas que a legislação actual permite que sejam espalhadas nos solos apresentam elevados graus de toxicidade”.
O projecto ECO-WASTE estuda os efeitos nocivos da colocação de lamas de ETAR em solos agrícolas, usando bio-ensaios. A legislação actual só considera parâmetros químicos que este projecto mostra serem insuficientes para aferir com rigor o grau de risco para o ambiente e para a saúde pública.
Para o coordenador do projecto ECO-WASTE, Paulo Sousa, esta investigação tem duas vertentes fundamentais: “complementar a avaliação química para analisar os possíveis efeitos nocivos das lamas e, ao nível científico, desenvolver, adaptar e validar uma série de bio-ensaios, que permita uma avaliação segura e fiável do risco ecológico inerente à aplicação de lamas em terrenos agrícolas como fertilizantes ou em solos degradados como correctivos orgânicos de restauro”.
Fonte: Agroportal
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