Para já, são 26 as empresas alimentares nacionais e multinacionais que decidiram abandonar a publicidade dirigida a crianças até aos 12 anos. O acordo de auto-regulação, celebrado esta tarde, tem por objectivo travar a obesidade infantil. A industria de alimentação e bebidas quer, assim, promover hábitos saudáveis no público infantil.
«Este acordo tem em vista a reformulação dos perfis nutricionais dos produtos agro-alimentares. O objectivo é reduzir a prevalência do problema da obesidade infantil», disse o presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-alimentares (FIPA), Jorge Henriques, na sessão de assinatura do protocolo, em Lisboa. Entre estas empresas estão nomes e marcas conhecidas como a Cerealis, a Coca-Cola, a Danone, Iglo, bem como a Modelo Continente, a Nestlé, a Unicer e a Unilever.
Desta forma, estes Grupos comprometem-se ainda a não promover iniciativas de natureza comercial em escolas de primeiro ciclo. A par destas medidas será criado um mecanismo independente de monitorização das mesmas. «É uma situação em que todos saem a ganha e é um sinal de maturidade da indústria nacional», adiantou Jorge Henriques.
Este acordo vai no sentido do compromisso já assumido pela indústria agro-alimentar europeia há dois anos e será adoptado a partir de 2010.
Pedro Queiroz, director-geral daquela Federação, adiantou que um dos objectivos do protocolo é o de definir com a Plataforma Contra a Obesidade, entre outros parceiros, a melhor forma de limitar os efeitos negativos da publicidade alimentar dirigida às crianças. “E no espaço de um ano queremos duplicar o numero de empresas signatarias deste protocolo”, adiantou aquele responsável.
Para o director-geral da Mars Portugal, outra das empresas que assinou o acordo, este «é o grande passo de responsabilidade social num mercado que considera ser muito avançado e competitivo». «O mercado português é muito bom porque os portugueses gostam de marcas e confiam na qualidade dos produtos», comentou Malte Damman, à margem da sessão.
Agro-alimentar contraria crise
A indústria agro-alimentar pesa 7,6 por cento na economia nacional e emprega mais de 110 mil pessoas. Apesar da crise, o sector conseguiu criar emprego. Empresas exportadoras são agora a aposta. Criação de consórcios é a solução.
A indústria de alimentação e bebidas é das que mais cresce em Portugal. Ao contrário de muitos sectores, este parece andar em contra-ciclo com a crise. Tendo em conta um volume de negócios de 12 500 milhões de euros, esta é, segundo a Federação das Indústrias Portuguesas Agro-alimentares (FIPA), a maior indústria portuguesa, representando 16 por cento do total da indústria transformadora e 7,6 por cento do PIB.
Apesar do clima económico adverso, a indústria agro-alimentar não contabilizou despedimentos e ainda criou postos de trabalho. Actualmente, dá trabalho a mais de 110 mil pessoas e agrega cerca de 11 mil empresas. Bebidas, carnes e lacticínios são os sectores de maior peso e representam 46 por cento do total.
A inovação no sector é uma das causas do crescimento, mas para que haja mais dinamismo, os profissionais consideram que a formação de consórcios com vista à exportação é a receita. “É necessário alguma concentração nesta indústria com vista a aumentar a exportação e a internacionalização”, disse, o presidente da FIPA, Tomás Henriques, à margem do 3.º congresso da federação. Isto porque “quanto mais dispersas as empresas estiverem, mais difícil será enfrentar os novos desafios, quer no campo da comercialização, quer da internacionalização”, acrescentou.
A ideia foi também defendida, ontem, pelo presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, Francisco Van Zeller: “A indústria portuguesa está extremamente atomizada e é necessário que muitas empresas pequenas se juntem para criar uma de grande dimensão”. Uma solução que iria facilitar a vida das pequenas e médias empresas, principalmente, no cumprimento da legislação e no combate à burocracia, defendeu.
Fonte: Anil
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