Douro teme compra de vinho ao BPN

A existência de negociações entre uma companhia de vinho do Porto e o Banco Português de Negócios (BPN) para a compra de 17 mil pipas de vinho do Porto pertença da Casa do Douro, mas penhoradas por esta instituição bancária, estão a preocupar a direcção do organismo duriense. O presidente da Casa do Douro tem informações que dão conta de um preço alegadamente “escandalosamente baixo”, situação perigosa em vésperas de vindima, pela instabilidade que criaria no mercado.

Manuel António Santos considera que só o facto de haver rumores sobre a possível conclusão do negócio com o BPN “é suficiente para criar um estado de espírito propício à penalização dos produtores durienses na vindima”. Facto lamentável, garante, dado que o comunicado de vindima, recentemente publicado (autoriza a produção de 120 mil pipas de vinho do Porto), resultou de um esforço de consenso entre os representantes da produção e do comércio no sentido de pôr fim ao vinho em excesso de anos anteriores e de evitar a criação de novos excedentes.

“Foi em nome da estabilidade do sector e da melhoria sustentada dos preços que se negociou consensualmente um quantitativo de benefício, e tudo pode ser posto em causa a confirmar-se este negócio catastrófico”, sublinha Manuel António Santos.

Em causa está o grupo Quinta and Vineyard Bottlers – Vinhos, SA, detentor da marca Taylor’s. “A Casa do Douro tem vinho penhorado pelo BPN e CGD. Tem um problema económico-financeiro para resolver e vinhos para vender a qualquer empresa que os queira comprar. Há muito tempo que a instituição procura uma solução para os seus problemas e é bom para o sector que a encontre”, diz Adrian Bridge, presidente do grupo . Mas sublinha que, neste momento, “não estamos em negociações com o BPN”.

Este responsável deixa, no entanto, uma mensagem de tranquilização para os lavradores profissionais com que se relaciona no Douro “Temos o nosso plano de vindima feito e vamos comprar as 20 mil pipas que compramos habitualmente e não o faremos em baixa, mas com toda a normalidade.”

Fonte próxima do sector garante ao DN que há cerca de três semanas o grupo propôs ao BPN a aquisição das referidas 17 mil pipas, mas foi chumbada pelo preço ser excessivamente baixo face ao do penhor. A questão é que os vinhos se encontram penhorados muito acima do valor de mercado.

Fonte: DN

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