Dieta afasta-se das boas práticas nutricionais

No período decorrido entre 2003 e 2008 acentuaram-se os desequilíbrios da dieta alimentar portuguesa. Excesso de calorias e gorduras saturadas, disponibilidades deficitárias em frutos, hortícolas e leguminosas secas e recurso excessivo aos grupos alimentares de “Carne, pescado, ovos” e de “Óleos e gorduras” caracterizaram a alimentação em Portugal, nesse período.

A análise por produtos alimentares – inserida na Balança Alimentar Portuguesa (BAP) 2003-2008, agora publicada pelo INE – revela disponibilidades crescentes nas carnes e pescado. No primeiro caso, a carne proveniente dos animais de capoeira foi a que mais cresceu no período em análise e representava, em 2008, 33% das disponibilidades totais de carnes; no pescado, e apesar do aumento das disponibilidades, assistiu-se a uma redução em 20% das disponibilidades de bacalhau.

Constata-se, ainda, uma substituição das raízes e tubérculos por cereais, e da margarina por azeite. De assinalar, ainda, que a partir de 2007 as disponibilidades de cacau e chocolate ultrapassaram as do café. A cerveja continuou a ser a bebida alcoólica preferida pelos residentes em Portugal, enquanto que nas bebidas não alcoólicas a posição cimeira foi ocupada pela água.

Dieta hipercalórica e roda dos alimentos distorcida
Os dados apurados pela BAP revelam que as quantidades diárias de produtos alimentares e bebidas disponíveis para consumo, no período 2003-2008, correspondiam em média a 3 883 kcal. Este valor reflecte um aumento de 4% face à década de 90 e ultrapassa largamente o valor médio recomendado para o consumo diário de um adulto (2 000 a 2 500 kcal).

Esta análise está em linha com o diagnóstico efectuado pelo 4º Inquérito Nacional de Saúde, que indicava que, em 2005/2006, 51% da população residente com mais de 18 anos, tinha excesso de peso e obesidade.

A comparação das disponibilidades diárias per capita em 2008 com o padrão alimentar saudável, coloca em evidência a distorção que a alimentação nacional provoca na roda dos alimentos. Os desvios mais acentuados ocorrem no grupo da “Carne, pescado e ovos”, com uma disponibilidade para consumo 11 p.p. acima do recomendado, e no grupo dos “Hortícolas” com disponibilidades deficitárias em cerca de 10 p.p..

Nos restantes grupos, constata-se ainda a prevalência de disponibilidades para consumo abaixo do recomendado para os frutos (-6 p.p.) e para as leguminosas secas (-3 p.p.). De referir que apenas nos grupos dos “Cereais e tubérculos” e dos “Lacticínios” as disponibilidades para os respectivos consumos se apresentam próximas do padrão alimentar aconselhado.

Dieta alimentar portuguesa afasta-se progressivamente dos intervalos recomendados pelas boas práticas nutricionais: para alcançar uma dieta saudável cada habitante de Portugal deve ter disponível para consumo quantidades adicionais de leguminosas secas, hortícolas e frutos. As disponibilidades para consumo dos grupos “Carne, pescado e ovos” e de “Gorduras e óleos” já se encontram em excesso.

Disponibilidades de lacticínios para consumo diminuem em 2008
A evolução das disponibilidades diárias per capita de lacticínios para consumo foi positiva entre 2003 e 2008 (+6%), tendo contudo em 2008 apresentado um ligeiro decréscimo de 1%. Na origem desta inflexão está a falta de matéria-prima verificada na indústria transformadora de lacticínios ao nível da União Europeia, com início em 2007 e cujas repercussões se estenderam até 2008.

Como consequência, a escassez de matéria-prima fez aumentar os preços na produção de leite cru (índices de preços no produtor com aumentos de 14,6% em 2007 e de 11,3% em 2008) e consequentemente o preço dos lacticínios junto do consumidor.

Com efeito, em 2007 e 2008, o índice de preços no consumidor dos produtos lácteos aumentou, o que originou em 2008 uma retracção no consumo, principalmente em produtos de alto valor acrescentado como o queijo e os iogurtes, menos 2% e menos 4% respectivamente. De realçar que no caso dos iogurtes, o segundo produto lácteo mais disponível para consumo, 16% do total em 2008, sendo esta a primeira vez, após 14 anos de crescimento das disponibilidades diárias per capita para consumo, que apresentam uma retracção.

Fonte: Anil

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