A Companhia das Lezírias (CL) lança, quinta-feira, carne de bovino naturalmente rica em Ómega-3, numa sessão que contará com as presenças dos ministros da Agricultura e da Saúde.
O projecto, “absolutamente inovador em Portugal”, está a ser desenvolvido por investigadores da Estação Zootécnica Nacional (EZN), tendo os resultados já apurados demonstrado que a carne assim produzida, “além de ser muito mais tenra, suculenta e saborosa, é também muito mais saudável, com menos gordura saturada, com aumento muito significativo (2,6 vezes) no teor de ómega-3”.
Segundo a CL, a carne de bovino é naturalmente enriquecida em ómega-3, “mediante criteriosa alimentação dos animais de acordo com normas nutricionais precisas”.
Para o enriquecimento da carne de bovino em ómega-3, a alimentação dos animais incorpora semente de linho oleaginoso, o qual é produzido na Companhia das Lezírias.
O presidente da CL, Vítor Barros, disse à agência Lusa que, pela primeira vez, a empresa está a produzir linho forrageiro em 75 hectares de terreno para ser adicionado, em quantidades determinadas pelos investigadores da EZN, na alimentação do gado bovino, de forma a criar uma fileira de qualidade, de carne rica em ómega-3.
Rui Bessa, investigador da EZN, disse à Lusa que a sua equipa trabalha há mais de oito anos no estudo da composição dos ácidos gordos alimentares de origem animal, tendo desenvolvido vários ensaios que passaram pela alteração da dieta alimentar e pelo maneio dos animais.
O objectivo é conseguir, de forma natural, aumentar a produção de CLA (ácido linoleico, potente anti-cancerígeno e inibidor da acumulação de gorduras nos tecidos) e de ómega-3 (uma gordura com características benéficas para a saúde, nomeadamente na prevenção de doenças cardio-vasculares e da visão, desenvolvimento do cérebro dos fetos e dos bebés, anti-inflamatório), que entrarão depois na alimentação humana.
Rui Bessa frisou o facto de o ómega-3 se encontrar essencialmente nos produtos do mar e nas verduras, pelo que as populações em que estes alimentos estão pouco presentes têm um défice desta gordura “boa”.
Os investigadores da EZN têm introduzido na alimentação dos ruminantes lípidos polinsaturados (óleos de peixe e vegetais, como os de girassol, para o enriquecimento em CLA, e de linho, para obtenção de ómega 3), disse Rui Bessa.
“Isto permitirá a revalorização da carne de ovino e bovino produzida em sistemas extensivos, como alimentos naturais com uma relação ómega6/ómega3 baixa, e portanto favorável”, sublinha o investigador num artigo publicado na revista Investigação Agrária.
Só nos dois últimos anos (2005-2006), a nível mundial foram lançados 460 novos produtos enriquecidos em omega-3.
As gorduras polinsaturadas ómega-6 (ácido linoleico) e ómega-3 (ácido alfa-linolénico) apesar de terem sido descobertas em 1886-87 (extraídas do linho, daí o seu prefixo “lin”) e de já em 1923 terem sido consideradas “essenciais” (então designadas por Vitamina F), só muito recentemente têm vindo a merecer a máxima atenção por parte da investigação, sublinha a CL.
Numerosos estudos clínicos têm demonstrado a redução da incidência de enfartes cardíacos, de mortalidade cardiovascular e de doenças mentais e neuro-degenerativas mediante alimentação rica em ácidos gordos polinsaturados ómega-3, dados os seus efeitos cardio-protectores, anti-inflamatórios, anti-aterogénicos e anti-trombogénicos, acrescenta.
Na sessão agendada para hoje,a CL promove uma visita de campo (às plantações de linho e aos bovinos), seguindo-se uma jornada técnica, na qual participam o director-geral de veterinária, investigadores da EZN e o coordenador da Plataforma Contra a Obesidade (Direcção-Geral de Saúde) e que será encerrado pelos ministros Jaime Silva e Correia de Campos.
A jornada termina com um almoço de dieta mediterrânica e condução de cabrestos pelos campinos da Companhia das Lezírias.
Fonte: Confragi
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