ASAE encerra mercado de Ovar

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) fechou dia 27, o mercado de Ovar “por falta de condições de higiene” na área alimentar, sendo a única excepção, segundo a Inspectora Chefe Graça Gonçalves, os talhos e charcutarias. O encerramento irá manter-se “até que sejam corrigidos os problemas técnicos/funcionais de higiene”, o que segundo José Américo, vereador da Câmara de Ovar, pode demorar entre “seis a nove meses”.

Nesta operação planeada para a área alimentar foram fiscalizadas 45 bancas, com o objectivo de verificar as condições de funcionamento e o estado de salubridade dos alimentos. Além das bancas de peixe, a ASAE deu também ordem de encerramento ao sector de hortifruticultura, com grande expressão neste mercado, conforme sublinhou o vereador.

José Américo afirma que a autarquia irá avançar de imediato com obras de requalificação, no valor de cerca de meio milhão de euros, que necessitam de concurso público e visto do Tribunal de Contas e que, por isso, irão demorar no mínimo seis a nove meses.

Enquanto decorrem as obras de requalificação, também cerca de meia centena de bancas de venda de roupa, ocupadas pela comunidade cigana, ficará sem lugar. São estes vendedores que mais contestam o encerramento prometendo “montar as bancas em frente à Câmara”, caso não lhes seja dada autorização da autarquia para continuar a actividade, da qual subsistem mais de duas centenas de pessoas das comunidades da Marinha e Sargaçal.

Para as bancas do peixe o vereador José Américo está a tentar arranjar uma solução que pode passar pela colocação de módulos provisórios.

Entre as varinas a contestação sobe de tom, enquanto não sabem qual será a solução apontada.

As críticas e protestos dos vendedores são todos dirigidos à câmara: “Na altura de eleições autárquicas vieram ao mercado prometer obras, mas depois nunca mais cá apareceram, até hoje, para ouvirem a ASAE a dizer uma coisa que já há muito se sabia”.

COMERCIANTES TEMEM FUTURO

Com o Natal à porta, a comunidade cigana que se dedica ao comércio de roupas – em grande número no Mercado de Ovar – já começa a deitar contas à vida e teme as consequências económicas desta medida, numa altura em que previsivelmente as vendas começam a aumentar. “A comunidade cigana é sempre apontada pelas coisas erradas, mas quando tentamos ganhar a vida honestamente fazem-nos isto”, afirmou o vendedor Joaquim Soares, que teme que esta medida possa levar a que “alguns ciganos arranjem problemas”. “Se querem que a comunidade cigana ande bem, deixem-nos trabalhar”, concluiu.

Entre o coro de vozes de protesto estão também as produtoras de produtos hortícolas e frutas, que estão preocupadas com o seu futuro, numa altura em que as sementes já foram lançadas à terra. “Já nos tiraram a criação de gado, a ordenha e agora isto. Não sei o que fazer para pôr comida na mesa”, desabafou Maria Isabel, que, tal como as outras vendedoras, quer um local provisório para exercer uma actividade legal e para a qual já pagou todas as taxas e licenciamentos à autarquia de Ovar.

Fonte: Correio da Manhã

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