Angola é prioridade na promoção dos vinhos portugueses na África lusófona, e o mercado onde se acredita haver mais espaço para produtos de qualidade, mas foram as exportações para Cabo Verde e São Tomé que mais cresceram em 2006.
Vasco d’Avillez, presidente da ViniPortugal, disse à Lusa que esta entidade responsável pela promoção externa dos vinhos portugueses arrancou recentemente com um estudo do mercado angolano, que será apresentado até ao Verão.
O estudo tem como objectivo identificar oportunidades a divulgar junto dos exportadores, num país onde o vinho a granel e de baixa qualidade ainda constitui parte muito importante das exportações.
“É preciso desenvolver o vinho de qualidade em Angola. E não tem havido acções específicas de promoção, apenas o trabalho de alguns grupos”, como a Sogrape, exemplificou.
A ViniPortugal atribui a Angola o estatuto de “mercado aposta”, a par da Índia – um “terceiro degrau” depois de países considerados “prioritários”, entre os quais se encontram os Estados Unidos e os da Escandinávia.
Também este ano, e em parceria com o Icep, a ViniPortugal vai organizar em Luanda uma acção de promoção de vinhos, junto dos diversos agentes de mercado, à semelhança das que têm vindo a ser feitas na Europa, prevendo ainda participar na feira do sector, adiantou Vasco d’Avillez.
De acordo com os últimos dados disponíveis, cerca de metade do vinho português para Angola é exportado a granel.
É comum encontrarem-se nos supermercados luandenses marcas exportadas que são embaladas ou engarrafadas localmente, como “Gaivota” ou “Fresco”, tal como em Moçambique se encontra o “Amália” ou “Bom Barril”.
Para Fernando Anjos, delegado do Icep na capital angolana, “claramente tem vindo a aumentar a qualidade do vinho que é importado e consumido, há uma maior preocupação com a marca”.
“As empresas estão a apostar mais no mercado, realizando já actividades de promoção. A maior empresa portuguesa do sector tem já uma presença directa no mercado através de uma subsidiária”, afirmou à Lusa.
“O mercado angolano consome essencialmente vinho português embora já se encontre disponível no mercado vinho sul-africano, argentino, chileno, francês”, referiu ainda.
Os últimos dados do INE, indicam, contudo, que o aumento da massa do produto exportado é superior ao seu valor.
No ano passado, até Novembro, as exportações para Angola ascendiam a 36 milhões de euros, mais 12,5 por cento do que no ano anterior e mais 27 por cento do que em 2004.
Ao produto exportado no ano passado correspondiam 529 mil toneladas, mais 19 por cento do que no ano anterior.
Ainda segundo dados do INE, os maiores aumentos de valor registaram-se em São Tomé e Príncipe (mais 20,7 por cento) e Cabo Verde (mais 13,4 por cento).
Em Cabo Verde o crescimento da massa de produto exportado evoluiu em linha com o valor, o único país da África lusófona em que tal se verificou.
Moçambique continua a ser o segundo maior mercado para os vinhos portugueses, com 3,4 milhões de euros em 2006, e foi o que mais cresceu nos últimos dois anos, na ordem dos 32 por cento.
Para a Guiné, pelo contrário, o valor do produto exportado caiu 26 por cento no ano passado, e quase um terço desde 2005.
Fonte: Agroportal
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