Os Açores vão dispor de um Plano Global de Sanidade Animal a partir de Janeiro, que prevê 1 milhão de euros anuais para garantir uma melhor gestão das explorações pecuárias e a segurança alimentar dos produtos.
Com este documento, hoje apresentado em Ponta Delgada, a secretaria regional da Agricultura e Florestas pretende contribuir para a classificação de excelência do efectivo pecuário dos Açores.
Na prática, o plano vai dar aos produtores de todas as ilhas “informação de carácter sanitário que lhes permita gerir melhor as explorações”, adiantou o secretário regional do sector, para quem os seus resultados vão se reflectir na qualidade e segurança alimentar dos produtos açorianos.
Para isso, o plano, que já foi enviado aos parceiros sociais, prevê reuniões técnicas regulares de acompanhamento da sua execução, a recolha de análises sobre a situação sanitária nas explorações e a inclusão de veterinários nas brigadas no terreno.
Além disso, está a ser elaborado uma manual de boas práticas sanitárias, que disponibiliza indicações concretas aos produtores sobre a melhor forma de actuar perante a eventualidade de doenças nos seus efectivos bovinos.
Segundo o secretário regional da Agricultura, Noé Rodrigues, a aplicação destas medidas vai implicar um grande volume de solicitações ao Laboratório Regional de Veterinária, razão pela qual o Governo açoriano já está a avançar com o projecto de construção de uma nova infra-estrutura, que deverá entrar em funcionamento dentro de dois anos.
Noé Rodrigues salientou que o novo laboratório vai ser certificado e constituirá um instrumento “fundamental para o processo de acreditação da produção pecuária dos Açores”.
O secretário regional da Agricultura salientou, ainda, que o plano não pretende ser um documento fechado, uma vez que vai evoluir conforme os resultados obtidos, ao mesmo tempo que “haverá sempre a necessidade de manter o acompanhamento das explorações” ao nível sanitário.
Para corrigir problemas relacionados com a saúde pública, sanidade animal e rentabilidade das explorações, o plano prevê a recolha de análises, no terreno, para prevenir e combater doenças como a brucelose, tuberculose, BSE, eczema facial, entre outras.
“Um dos graus mais elevados” da aplicação do documento será a atribuição de um cartão sanitário das explorações.
O presidente da Federação Agrícola dos Açores, Virgílio Oliveira, salientou o seu “agrado” pelo plano, mas considerou que a sua aplicação está com cinco anos de atraso.
“Perdeu-se cinco anos e um Quadro Comunitário de Apoio”, realçou Virgílio Oliveira, uma crítica que o secretário regional desvalorizou, alegando que este tipo de plano não poderá ser apoiado por fundos comunitários.
A Associação Agrícola de São Miguel também manifestou o seu acordo com as medidas a implementar, mas o seu presidente alertou para a necessidade de um reforço de verbas para a sua concretização.
“Para ter efeitos práticos é preciso um reforço de verbas, senão cai pela base”, adiantou Jorge Rita aos jornalistas, que defendeu a realização de reuniões técnicas com as associações de produtores de aperfeiçoamento das medidas.
Fonte: Agroportal
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