A crise alimentar no Zimbabué agravar-se-á durante a colheita no início de 2007 se o governo não importar urgentemente mais de 700.000 toneladas de cereais, alertou a Rede de sistemas de alerta precoce para a fome.
A FEWS NET (sigla em inglês de Famine Early warning systems network), com sede nos Estados Unidos, assegurou que um estudo sobre a distribuição de alimentos no Zimbabué revelou que este país do sul de África precisa de 565.000 toneladas de milho e 230.000 toneladas de trigo para evitar a fome que surgirá até à altura da nova colheita, prevista para Abril do próximo ano.
“Este nível de importação não só assegurará que o país tenha cereais suficientes para o consumo do próximo ano, como permitirá um armazenamento suficiente para alimentar a população do Zimbabué durante dois meses e meio na próxima colheita de Abril de 2007”, refere o comunicado da organização.
No entanto, a FEWS NET considera que será um “desafio enorme” para Harare financiar aquela enorme quantidade de alimentos, devido à difícil situação económica em que o país se encontra e à sua escassez de divisas desde que o Fundo Monetário Internacional deixou de o ajudar há sete anos.
“Conseguir os fundos necessários para o plano de importação será um desafio enorme para o Zimbabué, devido à sua crise económica”, indica o comunicado.
A reforma agrária, que provocou a morte de sete agricultores brancos e de dezenas dos seus trabalhadores, foi utilizada pelo presidente Robert Mugabe para “castigar” os lavradores de origem europeia por se aliarem com a oposição, que nas eleições de 1999 e pela primeira vez desde a independência do Zimbabué conseguiu lugares no Parlamento.
As terras expropriadas ficaram improdutivas ou foram divididas e confinadas a uma agricultura de subsistência, quando antes as grandes colheitas de tabaco, café e cereais eram a maior fonte de divisas do Zimbabué.
O país, em tempos o “celeiro de África”, está mergulhado numa crise alimentar e sobreviveu nos últimos seis anos graças à ajuda das agências internacionais de assistência.
No entanto, as principais organizações de ajuda alimentar, como o Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, informaram recentemente que os fundos dos doadores começaram a reduzir-se, o que está a conduzir a uma diminuição das operações de ajuda no Zimbabué e outros países da região.
Fonte: Agroportal
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