Wal-Mart manda retirar ovos das suas lojas na China

A empresa norte-americana Wal-Mart decidiu retirar os ovos da marca Hanwei dos seus 204 estabelecimentos na China devido aos receios de contaminação da cadeia alimentar a partir do leite adulterado com melamina.

«Ao longo dos últimos dias, retirámos de todas as nossas lojas chinesas os ovos dessa marca», disse Mu Mingming, responsável pelas relações públicas do Wal-Mart em Shenzen (sul), referindo-se aos produtos da marca Hanwei, um dos principais produtores de ovos da China.

No fim-de-semana passado, as autoridades de Hong Kong anunciaram ter detectado melamina em ovos daquela marca comercializados no território. Já em Setembro, em Dalian, sede da Hanwei no nordeste da China, foram encontrados e destruídos ovos contaminados.

«Não estamos a dizer que estes ovos não estejam em conformidade com as normas (…) estamos simplesmente a adoptar uma medida de precaução para sermos totalmente responsáveis em relação ao consumidor», acrescentou a responsável da empresa.

«A Wal-Mart tem mais de 100 lojas na China. Algumas não têm esta marca de ovos, outras já os retiraram todos e outras ainda os estão a retirar», explicou Mu.

Outro grande distribuidor estrangeiro na China, o Carrefour (França), indicou estar a acompanhar atentamente a situação para «garantir a saúde e a segurança dos consumidores» mas não ter ainda razões para medidas como a tomada pela Wal-Mart.

Uma cadeia de supermercados chineses, Park´n´Shop, da cidade de Cantão (sul), também mandou retirar os ovos da marca Hanwei.

O escândalo da contaminação de leite com melamina – uma substância química utilizada nos plásticos e resinas – surgiu no mês passado e levou à retirada do mercado de vários produtos chineses, de leite em pó a leite, bolachas, bolos ou chocolates.

Pelo menos quatro bebés chineses morreram devido à intoxicação por melamina e dezenas de milhares ficaram doentes. A intoxicação leva à formação de cálculos renais (pedras nos rins).

Mas, no caso dos ovos, as autoridades asseguram que só um consumo claramente exagerado de ovos frescos pode representar riscos para saúde.

Segundo o responsável regional para a segurança alimentar da Organização Mundial de Saúde, Tony Hazzard, os níveis de melamina detectados nos ovos retirados do mercado em Hong Kong não representam «um risco sanitário público imediato» uma vez que, uma criança, por exemplo, teria de consumir cerca de 20 ovos por dia para ultrapassar os níveis recomendados.

A detecção de melamina em ovos suscita a possibilidade de uma contaminação da cadeia alimentar através, por exemplo, da introdução daquela substância nas rações dos animais – aves, porcos, ovelhas, vacas – para, como aconteceu no caso do leite, aumentar artificialmente o nível de proteínas.

A organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apelou já às autoridades chinesas para que forneçam toda a informação sobre eventuais vestígios de melamina na cadeia alimentar.

Fonte: Diário Digital

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