Vitivinicultores da região do Douro envelhecidos

Setenta por cento dos associados das adegas cooperativas da região do Douro têm mais de 60 anos. Cerca de 12 mil vitivinicultores dos 20 mil inscritos nas 23 adegas são a prova do envelhecimento verificado no sector.

O presidente da União das Adegas Cooperativas da Região Demarcada do Douro (Unidouro), José Manuel Santos, confirmou ao Jornal de Notícias este «envelhecimento» e o afastamento dos jovens do sector cooperativo: «os jovens estão a virar as costas à vinha». O responsável diz que a ausência de incentivos e a falta de apoios são as principais causas.

José Manuel Santos diz estar apreensivo quanto ao futuro e assegura que «o Douro cooperativo, os associados das adegas, não aguentam mais tempo esta situação», que pode estar à «beira de uma crise profunda e de difícil resolução».

Segundo o presidente, para atrair mais jovens para o sector, são urgentes «novas políticas que ajudem à redução dos custos de produção, atracção de mais massa crítica e produtos melhor pagos», sublinhando que o Plano Estratégico para as Adegas pode inverter o «afastamento dos mais novos da vida cooperativa».

O dirigente da cooperativa de Sabrosa, José Nuno, também testemunha o envelhecimento no sector e fala das causas que levam ao desinteresse por parte dos mais novos: «os preços são baixos, o famoso emparcelamento nunca foi feito e a modernização não avança». Esta tendência também é evidente na Adega de Vila Real e nas freguesias de Tanha e Abaças.

No entanto, e remando contra a maré negativa, a Associação de Produtores e Engarrafadores de Vinhos do Porto e Douro (AVEPOD) conta com um conjunto de associados mais jovem com capacidade para investir por conta própria em novas vinhas e em novos produtos.

Fonte: Jornal de Notícias

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