Vírus H5N1 mata cisnes selvagens em Itália

É oficial e preocupante o vírus da gripe aviária já mora na Europa, paredes meias com Portugal. O laboratório europeu de despistagem da doença anunciou ontem que o H5N1 na sua forma mais letal foi detectado em cisnes selvagens encontrados mortos em Itália. A prova de que a ameaça é global chegou um dia depois de a ONU ter admitido que a propagação aumentou as hipóteses de mutação do vírus e de uma pandemia entre humanos.

“Estou certo de que chegou a Itália o vírus da gripe das aves. Foram encontrados 21 cisnes mortos nas regiões sul do país, Sicília, Calábria e Puglia, cinco dos quais com a forma mais virulenta do H5N1”, anunciou o ministro da Saúde italiano, Francesco Storace, numa conferência de imprensa marcada de urgência para esclarecer a população.

O ministro aproveitou para pedir aos italianos que não entrem numa “psicose ao frango” e mantenham os seus hábitos alimentares. Storace avançou ainda que vai aprovar uma norma de restrição ao transporte e movimento dentro do país de animais vivos sensíveis ao vírus da gripe das aves.

Grécia e Bulgária confirmam

As suspeitas já tinham uma semana e foram confirmadas ontem, à boleia do anúncio italiano Grécia e Bulgária também já têm gripe das aves. Na Grécia, estes resultados “provêm de amostras retiradas de três cisnes selvagens encontrados nas regiões de Salonica e Pieria”. Na Bulgária, “a doença foi detectada na região pantanosa de Vidin, próximo da fronteira romena”. Segundo um comunicado distribuído em Bruxelas, “nenhuma medida adicional de precaução” deve, contudo, ser tomada no imediato.

Em território grego estão já a ser aplicadas regras da União Europeia desde que o país foi colocado em estado de alerta, na quinta-feira. Entre estas incluem-se a instauração de uma zona de protecção com um raio de três quilómetros e uma zona de vigilância com dez quilómetros de raio em redor do lugar onde foram descobertos os cisnes mortos.

“Mais perto da pandemia”

O chefe das Nações Unidas para a gripe das aves, David Nabarro, disse na sexta-feira à Associated Press que a propagação da gripe aviária da Ásia para a Europa e para África aumentou as hipóteses de mutação do vírus e de pandemia. “Infelizmente não podemos dizer quando é que pode acontecer a mutação, ou mesmo se chegará a acontecer, ou de que forma desagradável o vírus mutante se revelará”, afirmou.

Mas “devemos permanecer em alerta máximo para a possibilidade de uma transmissão do vírus e do começo de uma pandemia em qualquer altura”, acrescentou. O especialista máximo em gripe aviária considera que a chegada da doença à Nigéria – anunciada na quarta-feira – deve ser um sonoro alerta para os países garantirem que os seus serviços veterinários estão atentos e que os serviços de saúde são capazes de identificar focos da doença que possam ser o sinal do início de uma pandemia.

“Comparado com há oito meses, este é um importante alargamento na epidemia de gripe das aves”, su-blinhou David Nabarro. É que enquanto se espalha, o vírus “põe em risco a saúde da população que vive com aves de capoeira”. Mais aumenta a possibilidade de mutações do H5N1 e essas podem alargar a doença aos humanos.

O perito está preocupado e garante que a ONU quer fazer tudo o que estiver ao seu alcance para reduzir a oportunidade de mutação. O caso nigeriano é ainda, para Nabarro, um mistério. “É preciso saber como é que a gripe chegou à África ocidental”, diz. O mais provável “é ter sido pela migração de aves selvagens que viajam de norte para sul”.

Mas há uma alternativa “Que o vírus tenha chegado em aves comercializadas. Se for esse o caso, elas foram contrabandeadas, porque a Nigéria proibiu a importação de aves de países afectados pela gripe aviária nos últimos dois anos.”

Fonte: DN

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