O vírus H5N1 detectado num pato mergulhão na região do País Basco é do tipo mais perigoso, confirmaram ontem as autoridades espanholas, a braços com o primeiro caso de gripe das aves. Apesar da proximidade, em Portugal não muda nada.
A Direcção-Geral de Saúde considerou que esta é uma “questão veterinária” e o Ministério da Agricultura sustentou não existir razão para alarme, pelo que manteve os níveis de alerta.
O vírus H5N1 foi detectado num mergulhão-de-crista encontrado morto, sexta-feira da semana passada, no pantanal de Salburua (Álava), no País Basco espanhol, a cerca de 300 quilómetros do Norte de Portugal.
Ontem estabeleceu-se uma zona de segurança num raio de três quilómetros de Salburua, interditando aí a circulação de aves e derivados. O jornal ‘El Mundo’, de Madrid, noticiou que nas proximidades não existem explorações avícolas comerciais.
Segundo disse ao CM Luís Costa, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), o que distingue o H5N1, de elevada patogenicidade, é o risco superior de contágio e o facto de provocar mais rapidamente a morte dos animais infectados. O mesmo especialista adiantou que o mergulhão-de-crista, com o estatuto de residente e nidificante em Portugal, não é uma ave com hábitos de migração.
O mais provável é o mergulhão de Salburua ter sido infectado por uma ave migratória portadora do H5N1. Luís Costa notou que, na altura das migrações para Sul, “aumenta a possibilidade de surgirem surtos também em Portugal”.
Desde o início do ano realizaram-se seis mil análises a aves em Portugal. Todas deram resultado negativo.
FACTOS
PORTUGUESES A LESTE
Os portugueses são dos cidadãos europeus que revelam maior desconhecimento sobre os riscos para a saúde associados à gripe das aves, revela um estudo da Comissão Europeia, divulgado ontem em Bruxelas. Só os espanhóis sabem menos dos que os portugueses, que estão a par dos gregos.
51 PAÍSES
O vírus da H5N1 já infectou aves – migratórias e/ou de capoeira – em 52 países do Mundo, 14 dos quais pertencem à União Europeia, informa a Organização Mundial de Saúde Animal. Milhões de aves foram sacrificadas.
131 MORTES
O número de mortes de seres humanos devido a infecção pelo H5N1 ascende a 131. Os dados são da Organização Mundial de Saúde e foram actualizados na passada terça-feira. Desde 2003 registaram-se 229 casos de infecção humana em dez países do Mundo, nenhum dos quais europeu. O Vietname registou o maior número de mortes (42) e de casos de infecção (93).
Fonte: Correio da Manhã
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