O virologista japonês Masato Tashiro garantiu, num encontro na Alemanha realizado no fim da semana passada, que a China está a ocultar casos humanos de gripe das aves. Afirmou que, pelo menos, 300 pessoas já morreram da doença e que mais de três mil estão sob quarentena.
As autoridades chinesas confirmaram, até agora, apenas três vítimas mortais da gripe das aves, mas o virologista membro do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas do Japão contradisse os dados e assegurou mesmo que sete dos casos mortais registados na China terão resultado de contágio entre humanos.
Tashiro tem feito declarações, ao longo das últimas semanas, sobre esta matéria revelando que os dados em que se baseia lhe foram fornecidos por colegas de profissão chineses. O virologista denunciou mesmo a prisão de cinco daqueles médicos pela tentativa de publicação dos dados em causa.
O porta-voz da Organização Mundial de Saúde, Dick Thompson, quis tranquilizar a situação e, em entrevista, esclareceu que os rumores lançados pelo virologista japonês já foram investigados e que não foram encontrados quaisquer fundamentos para as declarações.
Entretanto, sem a confirmação de verdade das declarações de Tashiro, o site chinês independente BoxunNews noticiou, segundo o Correio da Manhã, a morte de 77 pessoas que trabalhavam com aves, tendo indicado os nomes de 14 das vítimas.
A subdirectora-geral de Saúde portuguesa, Graça Freitas, que integra a Comissão de Acompanhamento da Gripe das Aves em Portugal, disse não acreditar nos números avançados por Tashiro, até porque «a China estaria num estado de epidemia tal que seria impossível esconder da comunidade internacional».
«Todos temos de confiar no governo chinês, que tem mostrado grande abertura e colaboração com o Ocidente no que toca à questão da gripe das aves. Acho muito difícil, depois do que aconteceu com a pneumonia atípica, que as autoridades de saúde não estejam a diagnosticar correctamente os casos de gripe das aves, ainda para mais nessa proporção de números. E depois, também há organizações no terreno», cita ainda o Correio da Manhã.
Fonte: Correio da Manhã
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