Os produtores portugueses de vinho têm de “rapidamente” encontrar mercados de exportação como a China, de forma a compensar a diminuição do consumo interno, defendeu ontem em Macau o presidente da ViniPortugal.
Em declarações à agência Lusa, Vasco d’Avillez explicou que entre 1970 e 2006 o consumo médio anual de vinho do cidadão português “baixou dos 85 litros para os 48 litros” e alertou para a necessidade de encontrar mercados como a China para vender aquilo que não se vende em Portugal.
“Portugal teve em 2006 uma produção de cerca de 6,5 milhões de hectolitros sendo que cerca de dois terços, ou 4,8 milhões de hectolitros, são vendidos em Portugal e que ficam sempre por vender cerca de meio milhão de hectolitros, se o consumo se mantiver em queda em Portugal poderá criar alguns problemas pelo que é necessário encontrar novos mercados”, disse.
O mesmo responsável, que iniciou recentemente o seu terceiro mandato à frente da ViniPortugal, considera a China um dos potenciais mercados exportadores, mas os produtores não se podem esquecer do “mercado interno e de manter os mercados do Brasil, Canadá, Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia e Alemanha, bem como apostar nos Estados Unidos e no Reino Unido”.
“A China é, tal como Angola, um mercado de aposta nos próximos dois anos e Macau é um pólo importante para entrar na China”, afirmou para salientar que cerca de duas dezenas das casas presentes em Macau com a ViniPortugal estão já a realizar negócios para a Grande China.
O forte crescimento económico de Macau aliado às grandes apostas em infra-estruturas de diversão e de hotelaria e ao crescimento do turismo para números inimagináveis há pouco mais de uma década, tornam Macau numa “excelente montra de produtos e um local que pode potenciar a entrada no continente chinês”, afirmou Vasco d’Avillez.
O responsável acrescentou também que na Grande China – incluindo Macau e Hong Kong – Portugal tem de “vender a mensagem” de que o vinho faz parte da cultura do seu povo e que em Macau “pela influência portuguesa que tem também possui essa tradição”.
“Se formos bons promotores até os hotéis americanos vão querer ter um restaurante português e vinhos portugueses”, disse.
Vasco d’Avillez está em Macau à frente de uma delegação de 36 empresas produtoras de vinho de todo o país numa promoção que já decorreu em Hong Kong, tem lugar quarta-feira em Macau e termina sexta-feira em Xangai, a capital financeira da China, e que contará com a participação do primeiro-ministro José Sócrates numa prova a realizar numa unidade hoteleira local.
Associado à prova de vinhos das marcas presentes, Vasco d’Avillez profere uma conferência sobre as castas usadas na produção do vinho português e irá falar um pouco das regiões vitivinícolas nacionais uma palestra que “servirá para despertar a curiosidade e para complementar a prova de vinhos que se segue”.
Fonte: Lusa
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