A empresa luso-brasileira Vinibrasil, inovadora na adaptação fisiológica da videira a condições tropicais no Brasil onde nunca foi possível produzir vinho, vendeu dois milhões de garrafas nos últimos quatro anos, afirmou hoje o presidente da Dão Vinhos.
“A biografia científica considerava que entre os paralelos 37º Norte e 37º Sul a viticultura não era possível, mas a Vinibrasil – Vinhos do Brasil, mediante um projecto inovador de processo a nível mundial, conseguiu produzir vinhos de qualidade internacional na latitude 8º Sul, na zona do Sertão, em Pernambuco, no Brasil”, disse à agência Lusa Casimiro Gomes.
Segundo o empresário, “a Vinibrasil [empresa que resultou de uma parceria tecnológica entre a portuguesa Dão Vinhos e a brasileira Expand] investiu oito milhões de euros entre 2003 a 2006 e vendeu dois milhões de garrafas neste período”.
“A empresa Dão Sul iniciou esta aventura, por muitos considerada insensata, ao apostar num projecto de investigação sobre a gestão de rega e o estudo eco-fisiológico da videira em diferentes condições edafo-climáticas”, explicou Casimiro Gomes.
Esta iniciativa contou, desde logo, com o apoio da Agência de Inovação portuguesa, em parceria com o Instituto Superior de Agronomia (ISA) mantendo “uma lógica de médio longo prazo”, adiantou à agência Lusa o empresário.
O desenvolvimento da produção e comercialização do vinho no Brasil necessitava de um sócio estratégico, escolha que recaiu na Expand, a qual tem uma forte rede de distribuição no país.
Além disso, a particularidade de ser uma empresa luso-brasileira, instalada no Brasil, levou a que em 2006 dois terços das garrafas vendidas se destinassem ao Brasil.
A terça parte restante foi exportada para mercados como os Estados Unidos, Canadá, Noruega, mas sobretudo para a Ásia (Japão e Xangai), onde há comunidades fortes, com elevado poder de compra e que procuram vinhos de alta qualidade.
“Queremos apresentar uma proposta internacional de cariz diferente, que também concorra com os vinhos do Chile e do México”, adiantou.
A actual capacidade de produção total da Vinibrasil situa-se entre 8 a 10 milhões de garrafas por ano, o que tem a ver com a aposta numa “estratégia de expansão projectada para o médio longo prazo”, realçou Casimiro Gomes.
A Dão Vinhos exportou 400.000 garrafas de vinho em 2006 para o Brasil, através da Vinibrasil, prevendo-se que as vendas aumentem entre 50 a 70 por cento no final deste ano.
Para 2010, as vendas estimadas da Dão Vinhos para o maior mercado da América Latina deverão crescer para 1 milhão de garrafas/ano.
“Em 2015 queremos transformarmo-nos no maior exportador de vinhos portugueses para o Brasil”, acrescentou.
No Brasil, a empresa luso-brasileira possui 2 mil hectares para plantação de vinha, dos quais 200 hectares estão ocupados, sendo as colheitas realizadas duas vezes ao ano.
Para breve, a área de produção vitivinícola aumentará em mais 200 hectares.
Além da área global para produção (2 mil hectares), a Vinibrasil tem já reservado às autoridades competentes mais 3 mil hectares de terrenos contíguos, numa aposta a longo prazo.
A Vinibrasil recebeu recentemente o prémio FINEP de Inovação Tecnológica na categoria de processo, tendo ficado em primeiro lugar e batido a Motorola, o segundo classificado.
O prémio da Finep, entidade que tem por missão promover e financiar a inovação e a pesquisa científica e tecnológica em empresas no Brasil, contou com 677 nomeações de todo o Brasil.
A empresa Dão Vinhos produz, nomeadamente, a Quinta de Cabriz e Casa Santar, na região do Dão, em Portugal, e exporta cerca de 50 por cento da sua produção para os Estados Unidos, Brasil, Noruega, Finlândia, Angola e Oriente, num total de 35 países.
Fonte: Agroportal
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