Vinho tinto melhora saúde e prolonga vida a ratos obesos

Um ingrediente do vinho tinto, tomado em grandes quantidades, baixou os diabetes e reduziu os problemas de fígado a ratos obesos. Os ratos da experiência viveram mais saudáveis e por um maior período de tempo, apesar de comerem alimentos gordos

Ratos de laboratório obesos alimentados com uma dieta rica em gorduras viveram com mais saúde e mais tempo sem recurso a dietas graças ao consumo de grandes doses de um extracto de vinho, revela um estudo divulgado quinta-feira.

Os investigadores que anunciaram a descoberta afirmam que ainda é cedo para saber se o método produz resultados idênticos nos humanos, mas consideram que é prometedor e mesmo «espectacular».

O estudo, conduzido pela Escola Médica de Harvard e pelo Instituto norte-americano do Envelhecimento, mostrou que doses substanciais de Resveratrol, um ingrediente do vinho tinto, fazem baixar os níveis da diabetes, reduzem os problemas de fígado e outros efeitos nocivos relacionados com gordura quando foram ministradas a ratos de laboratório obesos.

Os animais submetidos a este método viveram mais tempo que o esperado, mas o mais espantoso, segundo David Sinclair, líder da equipa de cientistas, reside no facto dos órgãos destes ratos se apresentarem normais, quando não o deviam estar.

«Eles estão gordos, mas por dentro estão bem, de saúde. Tivemos de nos beliscar para nos certificarmos de que estávamos acordados», comentou.

David Sinclair adiantou que os estudos já feitos em ratos de laboratório normais, igualmente tratados com o Resveratrol, mostram que o seu tempo normal de vida foi aumentado.

O líder da equipa de investigação tem um interesse especial nesta pesquisa, pois é co-fundador de um laboratório farmacêutico que tenta descobrir se é possível utilizar este extracto de vinho tinto em pessoas com diabetes.

O consumo de vinho tinto tem sido nos últimos anos referido como tendo efeitos benéficos para a saúde humana, mas o estudo divulgado quinta-feira na edição electrónica da revista Nature mostra que os mamíferos submetidos a doses elevadas de Resveratrol podem obter os efeitos do corte de calorias sem efectivamente as cortar e sem nada fazer para obter essa redução.

«Se estivermos certos, significa que se pode obter os efeitos de reduzir o consumo de calorias sem que uma pessoa tenha de sentir que está a passar fome», comentou David Sinclair.

Howard Eisenson, director do Centro de Dieta da Universidade de Duke, alertou o público para excessos de optimismo.

«Todos os que praticam medicina aprenderam já que não se pode saltar directamente de estudos com cobaias para o que pode acontecer em seres humanos», comentou Eisenson.

O Revesratrol encontra-se na pele das uvas e em outras plantas, como em amendoins.

Os 55 ratos tratados com a substância mostraram-se não só tão saudáveis como os ratos com peso normal como também tão ágeis e activos nos equipamentos para exercício físico.

Os resultados do estudo foram tão prometedores que o Instituto norte-americano do Envelhecimento tenciona repeti-lo, desta vez com macacos, disse o director da instituição, Richard Hodes.

O cientista sublinhou no entanto que as pessoas com problemas de peso ou diabetes não devem começar a tomar suplementos de Revesratrol sem controlo médico, uma vez que ainda não foram testadas todas as questões elacionadas com a segurança.

Fonte: Sol

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