Vinho do Porto: Governo Vai Encomendar Estudo Estratégico da Região Demarcada

A Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP) anunciou hoje que o Governo vai encomendar em 2006 um estudo estratégico da Região Demarcada, de onde se espera sair um diagnóstico “claro” das suas necessidades.

“Não há crise no sector, mas há sérios problemas que têm que ser resolvidos”, frisou o presidente da AEVP, que falava aos jornalistas num balanço da actividade da região durante este ano.

Segundo o presidente da AEVP, a comercialização de Vinho do Porto vai terminar 2005 com um volume positivo, mas com uma quebra ao nível do volume de vendas.

Até ao final de Outubro, a comercialização apresentava um crescimento de um por cento em volume, relativamente a igual período do ano passado, para 7,8 milhões de caixas de nove litros e menos 0,4 por cento em valor, para mais de 301,7 milhões de euros.

Para George Sandeman, os “grandes desafios” do sector, depois de se identificar os seus reais problemas através do futuro estudo estratégico, será o de investir em novos mercados para exportação, nomeadamente EUA, Ásia-Pacífico, América Latina e países de Leste, recrutar novos consumidores e desenvolver novas formas de promover os produtos da região demarcada.

“É importante que o interprofissionalismo [produção e comércio] se juntem de facto e acertem uma estratégia concertada entre a maior quantidade que se vende ao melhor preço, para que depois se possa produzir e valorizar a produção”, destacou.

O responsável sublinhou assim a necessidade de se realizar o levantamento da região do Vinho do Porto e Douro para criar “estratégia” entre a produção e o comércio.

É que, destacou a directora executiva da AEVP, também presente no encontro, a produção do Vinho do Porto e Douro continua fragmentada em cerca de 33 mil viticultores inscritos na Casa do Douro, que praticam uma viticultura de montanha, com custos de produção “elevadíssimos”.

Segundo Isabel Marrana, é necessário definir uma abordagem ao sector porque se for decidido passar a vender-se com mais valor, o volume vai diminuir, mas se nada for feito, o volume acaba por cair na mesma.

Relativamente aos problemas financeiros da Casa do Douro, o presidente da AEVP criticou a “falta de responsabilidade” dos seus dirigentes, que não se está a fazer representar ao nível do interprofissionalismo, estando cada vez mais distanciada da região propriamente dita.

“A Casa do Douro encontra-se sistematicamente numa situação de salários em atraso. No entanto, esta situação não é originada pelo peso da dívida, já que não tem sido pago o serviço da mesma, mas pela incapacidade de reestruturação dos seus serviços a uma nova situação institucional”, considerou.

Para os responsáveis pela associação, é necessário que a Casa do Douro e o Estado decidam estudar “de forma séria e transparente” o problema, tendo em conta que há uma região, um negócio, um sector e um produto de prestigio que tem que subsistir a todos estes erros.

“Tem que haver uma instituição forte que represente a lavoura, para que depois esta se possa associar ao comércio. Porque os assuntos da divida da Casa do Douro prejudicam o sector”, concluiu.

Fonte: Lusa

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