Os veterinários municipais defendem a proibição da exposição e venda de aves vivas em mercados e feiras. Justificam a medida – levada excepcionalmente à prática no mercado portuense do Bolhão – alegando não ser viável cumprir a orientação da Direcção-geral de Veterinária (DGV) de evitar o regresso dos animais ao local de origem.
“É suposto que as aves saiam dos mercados mortas, mas não é possível abater ali as que não são vendidas”, afirma ao CM o bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, Cardoso Resende, pedindo à DGV que clarifique a orientação dirigida aos veterinários municipais. “O melhor seria proibir, ainda que provisoriamente, este tipo de exposição e venda.”
Teme-se que os animais, em contacto com os outros nos mercados e feiras, possam, no regresso às explorações e em caso de infecção, contagiar os bandos de origem. Na eventualidade de um surto, seria então muito difícil identificar-lhe a fonte.
“Tal como foi definido, o controlo não é viável”, constata o presidente da Associação Nacional de Médicos Veterinários dos Municípios, Gabirro Fernando, que também defende a proibição. Ocupada no levantamento dos locais onde aves vivas são expostas ou vendidas, aquela associação tenciona, após terminar o trabalho, tomar posição oficial sobre a orientação da DGV.
O director-geral de Veterinária, Carlos Agrela Pinheiro, reconhece aos veterinários concelhios – como os do Porto, no caso do Bolhão – autoridade para determinar a proibição. “Mas não se trata de uma directiva nacional”, esclarece, garantindo que Portugal continua a agir em consonância com todas as indicações emanadas da União Europeia.
MEDIDAS ANUNCIADAS E EM CURSO
ANÚNCIO
A União Europeia poderá pedir aos 25 medidas “drásticas e radicais” para prevenir a disseminação do vírus da gripe das aves, disse o presidente da Comissão, Durão Barroso, falando à margem da Cimeira Ibero-Americana, em Salamanca.
POMBOS
O director-geral de Veterinária e presidente da Comissão de Acompanhamento da Gripe das Aves, Agrela Pinheiro, afirma que os pombos, em grande número em algumas cidades, não são considerados uma espécie de risco.
PASSARINHOS
Além de expulsar as senhoras que vendiam galinhas vivas no mercado do Bolhão, a Divisão Municipal de Feiras e Mercados do Porto definiu também cuidados especiais para a Feira dos Passarinhos, que se realiza todos os sábados.
Fonte: Correio da Manhã
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