Venezuela: Governo quer 90 por cento dos alimentos a preços regulados

O Governo venezuelano vai aplicar medidas de intervenção e supervisão de todas as fábricas processadoras de alimentos para garantir que 90 por cento dos produtos básicos que se vendem no país tenham preços regulados.
O anúncio foi feito pelo superintendente Carlos Osório, responsável pela Superintendência de Silos, Armazéns e Depósitos, que explicou que «a distribuição de alimentos e a acessibilidade dos produtos alimentares é matéria de segurança do Estado, que tem primordial importância e por isso estamos dando a protecção requerida à máxima produção».

Carlos Osório falava no Estado venezuelano de Portuguesa, localizado a 500 quilómetros a sudoeste de Caracas, durante o estabelecimento de controlo da fábrica de Arroz Mary, na sequência de um ordem de «intervenção imediata» dada no sábado pelo Presidente Hugo Chávez.

«Estas medidas de supervisão vamos fazê-las em todas as fábricas processadoras de alimentos e segundo as avaliações efectuadas será possível averiguar se os preços são justos, disse Carlos Osório.

Por outro lado, sublinhou que as empresas produtoras de arroz violaram as leis, duplicando o preço dos produtos e que a «supervisão do cumprimento das normas permitirá avaliar a rede alimentar, desde a produção primária até à distribuição e armazenamento tanto em empresas privadas como públicas».

A situação de preços altos veririca-se na farinha de milho pré-cozida, massa de tomate, massa de maionese, azeites que saem com características adicionais e quando o consumidor se dirige aos estabelecimentos comerciais de venda de alimentos constata que «um produto duplica ou triplica de preço por possuir características que estão fora da regulação», concluiu.

O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez ordenou no sábado a «intervenção imediata» de todas as indústrias de arroz do país, argumentando que não que nestas não respeitavam as leis em vigor.

A intervenção, segundo o ministro de Agricultura e Terras, Elías Jaua, é temporária, por três meses, e consiste numa supervisão da produção que estará orientada a produzir arroz a preço 100 por cento regulado.

Segundo a Associação Venezuelana de Moinhos de Arroz (ASOVEMA) 46,4 por cento, cerca de 210.987 milhares de toneladas métricas da produção de arroz do mercado venezuelano, desde 2007, é garantido por produtoras estatais.

A medida levou à intervenção das fábricas Lancarina que detém 23,8 por cento do mercado, Cargill; com 7,7 por cento; Alimentos Polar, também com 7,7 por cento; Molinos de Água Blanca, com 4,5 por cento; Monaca, com 3,2 por cento e oito por cento nas mãos de pequenas empresas.

Os produtores de arroz queixam-se que uma alegada insuficiência de matéria-prima e limitações no acesso a dólares para a sua importação impedem as empresas de produzirem na máxima capacidade.

Os mesmos afirmam que o preço estipulado pelo Governo para a venda ao público de um quilo de arroz é inferior ao valor da produção, sublinhando que para evitar perdas optam por produzir arroz com sabores agregados.

As produtoras anunciaram ainda que vão solicitar ao Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela que verifique a constitucionalidade da medida presidencial e determinar a nulidade da intervenção.

Fonte: Confagri

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