Os agricultores do Vale da Vilariça, no Nordeste Transmontano, vão reivindicar sexta-feira na comissão nacional da seca uma solução urgente para uma barragem que aguarda há um ano e meio por autorização para encher.
A comissão reúne-se sexta-feira em Mirandela, no distrito de Bragança, para fazer o ponto da situação da seca do país e uma das entidades convidadas para a reunião é a Junta de Agricultores do Vale da Vilariça.
A zona é considerada uma das mais férteis de Trás-os-Montes, mas a falta de água para regadio constituiu, há décadas, um entrave ao desenvolvimento agrícola, agravado pela seca do último ano.
Desde a década de 1960 que os agricultores aguardam pela concretização de um plano de regadio que inclui a barragem de Santa Justa.
O empreendimento está pronto há um ano e meio, mas ainda armazena água.
A Direcção-Regional de Agricultura de Trás-os-Montes (DRATM), dona da obra, alega que falta apenas autorização do Instituto Nacional da Água (Inag) para fechar a comporta.
O Inag diz, por seu turno, que falta o relatório-síntese da obra e a elaboração e execução de um plano de emergência e segurança para emitir a respectiva autorização.
Para o presidente da junta de agricultores do Vale da Vilariça, Fernando Brás, “o que é necessário é flexibilidade para que não se perca mais um ano com a barragem vazia”.
O representante da lavoura vai expor o problema na reunião da comissão nacional da seca, em que estará também presente o presidente do INAG, e reclamar uma solução.
Fernando Brás defende ser possível iniciar a primeira fase de enchimento da barragem em simultâneo com a execução do plano de emergência e segurança interno.
Segundo explicou à Lusa o director-regional de Agricultura, Carlos Guerra, este plano só passou a ser exigido depois do acidente com a barragem do Lapão, em Mortágua, no concelho de Viseu, que ameaçou ruir em 2002, pouco tempo depois de iniciar o enchimento.
A barragem de Santa Justa no Vale da Vilariça encontrava-se já em construção, mas foi abrangida pela nova legislação.
O responsável pela divisão de estudos e projectos no Inag, António Miranda, explicou à Lusa que a barragem em causa foi classificada “de risco elevado porque, em caso de ruptura, morre gente a jusante”, nas povoações próximas da albufeira.
De acordo ainda com este responsável, só será autorizado o enchimento quando o plano de segurança estiver elaborado, executado e testado, o que implica também “educar as pessoas para o som das sirenes, para que em caso de emergência saibam o que significa e como proceder”.
O presidente da junta de agricultores concorda com a importância do plano, mas defende ser “possível iniciar o enchimento e, em simultâneo, executar o plano de segurança sem perigo para as populações”.
“Tomáramos nós que ela enchesse 10 por cento”, disse, referindo que com a falta de chuva e a aproximação do Verão, a capacidade de armazenamento será reduzida.
A barragem de Santa Justa é a terceira e última do chamado Bloco Norte do Vale da Vilariça, que actualmente conta apenas para a rega com as barragens da Burga e do Salgueiro.
A primeira está praticamente vazia e a segunda com uma quota reduzida, que vai ser reforçada com recurso a bombagem de água de uma ribeira próxima.
O representante dos agricultores disse que o reforço não será suficiente para evitar que, pelo segundo ano consecutivo, sejam abandonadas as culturas anuais, nomeadamente as hortícolas, que não vão ser plantadas por falta de água.
A reserva existente serve apenas para “salvar” as culturas permanentes, sobretudo os pomares.
Para o plano de regadio do vale ficar completo falta mais uma barragem, que está a ser construída no Bloco Sul, com o nome dos dois cursos de água que vão confluir para a albufeira, os ribeiros Grande e Arco.
Fonte: Agroportal
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