Vacina única para gripes

Um grupo de cientista britânicos está prestes a revolucionar a ciência com a possibilidade de produzir em breve uma nova vacina múltipla capaz de combater todos os tipos de gripe A – nos quais se incluem as formas mais mortais da doença. Esta nova arma irá permitir um combate eficaz contra a típica gripe de Inverno e, simultaneamente, uma resposta rápida a uma eventual pandemia de gripe das aves.

Os testes em humanos só deverão ser iniciados nos primeiros meses de 2007, mas são já muitos os especialistas que descrevem a vacina como o Santo Graal da ciência. Um das suas particularidades é o facto de o fabrico ser mais rápido e fácil do que os métodos de produção actuais, o que poderá permitir fabricar e armazenar uma vasta quantidade de unidades em caso de pandemia.

Apesar de ainda não ter sido oficialmente informada sobre a vacina, a Direcção-Geral da Saúde entende que esta “é mais uma esperança” no combate à gripe. Carla Rascoa, do grupo operacional de estudo da gripe deste organismo, reconhece que “são estudos que estão ainda em fase de produção animal, pelo que precoce estabelecer alguma conclusão em relação à sua possível utilidade”, mas sublinha que “este é um passo muito importante”. “O grande problema com a vacina da gripe é que os vírus são mutáveis e nesse sentido é necessário estudá-los permanentemente para fazer as vacinas mais adequadas às estirpes que surgem”, explicou a especialista em saúde pública.

Por isso, outra das mais-valias desta vacina é o facto de utilizar proteínas do tipo M2, que estão presentes no vírus e se mantiveram quase inalteráveis nos últimos cem anos. “As proteínas utilizadas para a vacina são diferentes das utilizadas na vacina da gripe sazonal e são tradicionalmente menos mutáveis”, disse Carla Rascoa. O resultado é óbvio: “Será menor a necessidade de tomar anualmente a vacina, o que significa que é mais durável”. Os cientistas britânicos acre- ditam que duas a três doses, acompanhadas de um reforço de entre cinco a dez anos, podem substituir a tradicional toma anual da vacina.

‘SOPA BACTERIOLÓGICA’ EFICAZ

A biotecnologia foi o principal instrumento usado pelos investigadores britânicos para chegar a esta nova vacina. Se até agora as proteínas do vírus usadas nos testes eram desenvolvidas em ovos de galinha, um processo moroso que tem como resultado prático uma única vacina por ovo, o uso da chamada ‘sopa bacteriológica’ – baseada nos princípios da biotecnologia – permite a produção de cerca de dez mil doses da vacina com cerca de um litro do líquido. Segundo Carla Rascoa, “esta nova vacina feita a partir de técnicas da biotecnologia diminuirá tendencialmente o tempo de produção” da vacina.

Sobre os testes que têm sido desenvolvidos, os ratos injectados com uma dose quatro vezes letal do vírus da gripe têm visto a doença travada através da nova vacina. Da mesma forma, os ratos analisados têm sido poupados à tradicional febre que habitualmente acompanha a doença.

As novas vacinas apenas protegem a população contra a gripe do tipo A – que é também responsável pelos casos mais graves de gripe de Inverno – mas está já levantada a hipótese de desenvolver uma fórmula semelhante contra a gripe tipo B.

NOTA POSITIVA NOS PRIMEIROS ENSAIOS

A China foi um dos primeiros países a apostar no desenvolvimento de uma vacina contra o H5N1, a forma mais mortal da gripe das aves. Depois de vários meses de estudos, a vacina chinesa provou ser segura na primeira ronda de testes clínicos a que foi sujeita. A vacina foi testada em seis voluntários humanos, entre Novembro e Junho, num hospital de Pequim. Os testes foram conduzidos pelo Centro Chinês para o Controlo e Prevenção de Doenças Contagiosas e por uma farmacêutica local. As autoridades chineses prevêem começar a comercializar o produto logo após os últimos testes. No Reino Unido, os laboratórios da Glaxo Smith Kline desenvolveram também uma vacina contra o H5N1, que já passou a fase de ensaios. Os responsáveis querem produzi-la em larga escala já este ano.

NOTAS SOLTAS

MILHÕES DE MORTOS

Uma pandemia mundial de gripe poderá matar 62 milhões de pessoas, de acordo com um estudo divulgado na publicação científica britânica ‘Lancet’. A última grande pandemia, em Espanha, matou 50 milhões.

DISTRIBUIÇÃO

Em Outubro, o director-geral de Saúde, Francisco George, admitiu a possibilidade de alterar a forma como a vacina da gripe sazonal é distribuída à população. O objectivo é fazê-la chegar ao maior número de pessoas possível, mas o director-geral não adiantou como pretende fazer essa alteração.

IDOSOS SEM VACINA

Segundo Graça Freitas, subdirectora-geral de Saúde, só 40 por cento dos idosos portugueses foi este ano vacinado. No início do Inverno houve uma enorme procura, mas o número de interessados acabou por descer, o que obrigou a que muitas farmácias fossem obrigadas a devolver o ‘stock’.

Fonte: Correio da Manhã

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