A incubação da forma humana da doença das vacas loucas, uma nova variante da doença de Creutzfeldt-Jakob (nvMCJ), poderá ser superior a 50 anos, de acordo com uma equipa britânica dirigida pelo professor John Collinge.
Os elementos da equipa sugerem que o impacto de uma eventual epidemia de nvMCJ, doença actualmente mortal, pode ser bem mais importante do que o previsto na Grã-Bretanha, onde a epidemia de vacas loucas (encefalopatia espongiforme bovina) afectou dois milhões de bovinos.
A hipótese da equipa liderada por John Collinge, publicada no último número da revista médica britânica The Lancet, assenta num estudo de casos recentes da doença de Kuru – referida primeiro como nvMCJ – em que a enfermidade surge relacionada, não com o consumo de bovinos contaminados, mas com ritos canibais da Papua Nova Guiné, postos de lado por interdição das autoridades australianas.
Entre 1957 e 2004, o número de casos de kuru ultrapassou os 2.700.
A equipa britânica identificou 11 pacientes doentes de Kuru entre Julho de 1996 e Junho de 2004, todos nascidos após o fim daquele rito canibal.
“A duração mínima de incubação vai de 34 a 41 anos”, refere a equipa, acrescentando, no entanto, que esse período pode ainda ser mais largo.
De acordo com os autores do estudo, a evolução sobre a epidemia de nvMCJ pode estar a ser subestimada.
“A dimensão definitiva desta epidemia é incerta”, refere o editorial da revista The Lancet, que adianta que o número de infectados é também desconhecido.
“Todos crêem que a ideia de que a incidência de novos casos da nova variante da doença teve um pico e que já foi ultrapassada a pior parte, deve ser vista com muito cepticismo”, refere o editorial da publicação britânica.
Na Grã-Bretanha, 161 casos da nova variante foram registados.
Fonte: Confragi
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