A estratégia de Portugal para a negociação da nova organização comum do mercado das frutas e legumes é tentar negociar formas de transição para o sector do tomate industrial, disse hoje, em Bruxelas, o ministro da Agricultura.
Jaime Silva, que participa numa reunião com os seus homólogos da União Europeia, sublinhou que a discussão da proposta da Comissão Europeia começou agora e vai durar, pelo menos, até Abril.
Para além de um desligamento parcial, ou de um total faseado, o ministro português quer ver adoptadas medidas de apoio à indústria transformadora.
A produção de tomate industrial poderá acabar com a entrada em vigor da nova organização comum do mercado (OCM) horto-fruticultura, que prevê a adopção do regime de pagamento único de subsídios, desligado da produção.
“O desligamento de um ano para o outro leva ao abandono total da produção”, salientou o ministro.
Se tal acontecer, estará em risco a laboração de seis fábricas, com 4.500 postos de trabalho directos, cuja produção é maioritariamente exportada.
Uma outra possível solução para a produção de tomate industrial será, na opinião de Jaime Silva, “modulá-las em função do histórico português”.
A modulação, que carece ainda da aprovação pelo Parlamento Europeu, permite ao Estado retirar parte das verbas dadas por Bruxelas aos agricultores – no âmbito do regime de pagamento único – transferindo-as para outras prioridades.
“Podemos criar metas regionais que permitam ter ajudas majoradas para os produtores de tomate para a indústria”, sublinhou.
Mas a proposta de OCM das frutas e legumes tem lados positivos, ao permitir a produção em zonas onde predominam os cereais, como no Alqueva.
“Tendo horas de sol e água, não há razão nenhuma para Portugal ser um importador importante de produtos horto-frutículas”, referiu o ministro.
O consumo médio diário de frutas e legumes per capita é em Portugal de 335 gramas, um pouco abaixo dos 400 gramas recomendados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
Trinta e cinco por cento dos produtos horto-frutículas consumidos em Portugal são importados.
Fonte: Agroportal
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