Os ministros da Agricultura e Pescas da União Europeia terminaram hoje, em Bruxelas, a tradicional maratona negocial das capturas de peixe com bons resultados para Portugal, que viu a quota de pescada menos reduzida do que esperava.
“Estou satisfeito com o resultado do conselho” disse aos jornalistas o ministro Jaime Silva, no final dos trabalhos.
“Em vez da redução dos dez por cento na quota da pescada, a Comissão Europeia propõe uma redução de oito por cento, que nós aceitámos como um aviso”, disse o ministro.
Esta redução das quotas para 2007 é vista por Lisboa como um recado de Bruxelas para investir numa gestão sustentável do sector da pescada, espécie cujo ” stock” está em risco de ruptura, segundo os pareceres científicos.
Ao fim da tarde a redução que estava em negociação nas capturas de pescada era de dez por cento, mas a ministra espanhola, Elena Espinosa, conseguiu negociar em alta a redução, acabando por beneficiar também Portugal.
Segundo o texto final, os pescadores portugueses poderão capturar no próximo ano 1.830 toneladas de pescada, mais 48 toneladas que a quota de 2005 e menos 159 que a deste ano.
As negociações sobre as quotas de pesca no Atlântico iniciaram-se terça-feira de manhã e duraram até à madrugada de hoje.
Portugal ultrapassou este ano a quota permitida, facto que também esteve na origem do corte imposto por Bruxelas.
Uma das possibilidades de fazer uma gestão sustentada das capturas de pescada pelo Governo português poderá ser, salientou o ministro, a atribuição de quotas individuais a cada embarcação.
Em relação às outras espécies, Portugal conseguiu manter a quota de carapau – 25.036 toneladas para as águas continentais e 1.024 para as das regiões autónomas – e do tamboril, de 324 toneladas.
Em relação ao lagostim, a quota de pesca foi reduzida em dez por cento, para 328 toneladas.
Jaime Silva quer agora tornar o sector das pescas mais competitivo, através da aplicação de 218 milhões de euros provenientes de Bruxelas, disponibilizados pela Política Comum das Pescas, verba que atinge 300 milhões de euros com as quantias destinas ao sector no Orçamento de Estado.
“Temos que tornar o sector competitivo e atractivo, numa pesca sustentada só as empresas competitivas poderão manter-se”, considerou.
Fonte: Agroportal
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